A concessão do Metrô do Recife à iniciativa privada enfrenta a resistência de metroviários, liderados pelo sindicato da categoria e movimentos como a Articulação Metroviária. Os protestos denunciam o que consideram um abandono do sistema ao longo de anos, com investimentos financeiros insuficientes.
No entanto, a principal barreira para a concretização da concessão não reside nas manifestações, mas sim em um acordo financeiro pendente entre o governo federal e o governo de Pernambuco. A falta de um consenso sobre as garantias financeiras é o que impede a finalização do processo.
O ponto central da negociação é a garantia de recursos da União e as contraprestações ao governo pernambucano, que teme a descontinuidade dos pagamentos em caso de crises político-administrativas. A governadora demonstra preocupação com o risco de que o ônus financeiro recaia sobre o Estado, já responsável pelo Metrô do Recife.
Estudos da Casa Civil avaliam fontes de recursos como a Ferrovia Transnordestina e o Fierce (fundo de apoio à recuperação da infraestrutura). A governadora Raquel Lyra exige garantias sólidas, mesmo ciente de que a solução do problema do metrô foi uma de suas promessas de campanha e poderá ser explorada pela oposição nas próximas eleições.
A modelagem do projeto prevê uma Parceria Público-Privada (PPP), com investimento federal de aproximadamente R$ 3 bilhões e contrapartida de Pernambuco de pouco mais de R$ 150 milhões. Os recursos seriam destinados ao pagamento de contraprestações financeiras à futura concessionária, já que a operação do Metrô do Recife não gera receita suficiente para garantir sua viabilidade econômica.
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), administradora do sistema, registrou um prejuízo de R$ 1,1 bilhão em 2024, considerando também os sistemas de trens urbanos em outras capitais do Nordeste. No entanto, Recife é a única rede apta à concessão, segundo mapeamento do BNDES.
A decisão de concessão já teria sido tomada pelo presidente Lula, com possível anúncio em breve, durante uma visita a Pernambuco ao lado da governadora. Os detalhes teriam sido definidos em reunião entre a equipe de Raquel Lyra e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.
A nova operação privada pode começar em 2027. Além disso, um acordo trabalhista foi costurado para preservar empregos e realocar funcionários da CBTU. O governo federal pretende realizar uma consulta pública após o anúncio da concessão.
O Metrô do Recife atende aos municípios de Recife, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e Cabo de Santo Agostinho, com 3 linhas, 36 estações e 71,5 km de extensão. A concessão do Metrô do Recife será a segunda da CBTU, após a privatização do Metrô de Belo Horizonte.