O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou a plataforma Truth Social para declarar que o Canadá está em busca de "os benefícios de ser um Estado, sem ser um". Essa afirmação surgiu após o fracasso nas negociações comerciais entre os dois países, levando a um aumento nas tensões comerciais. Em resposta, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que a relação entre os EUA e o Canadá se encontra em uma "guerra comercial".
A recente ruptura nas negociações resultou na aplicação de novas tarifas de 50% sobre uma parte das importações canadenses. Estima-se que essas tarifas atinjam cerca de US$ 20 bilhões em produtos, o que corresponde a aproximadamente 5% das importações do Canadá. Os produtos afetados incluem vinho, laticínios, cimento, vestuário e equipamentos de hóquei.
Essas novas tarifas se somam às já existentes sobre aço, alumínio, automóveis e madeira canadenses. Trump destacou que os agricultores norte-americanos têm enfrentado "quantias massivas" em tarifas ao Canadá ao longo dos anos. Em contrapartida, Carney classificou as novas medidas como uma "má avaliação", destinada a "machucar e dividir" o país, e afirmou que retaliará "com relutância".
Durante um discurso no Parlamento, Carney anunciou que o Canadá planeja retaliar "dólar por dólar" a partir de 8 de setembro, implementando sobretaxas sobre produtos como aço, laticínios, eletrodomésticos e eletrônicos. Ele afirmou que "pediram demais e ofereceram de menos", enfatizando a gravidade da situação. "Você está em guerra quando é atacado. Nós fomos atacados", completou o primeiro-ministro.
O colapso nas negociações também prejudica a revisão do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá), que representa um comércio trilateral de US$ 1,6 trilhão anualmente e substituiu o Nafta em 2020. Canadá e México haviam solicitado a renovação do acordo por mais 16 anos, mas os EUA rejeitaram a proposta de manter os termos atuais. Ao ser questionado sobre as consequências do impasse, Carney apontou que o fracasso das negociações representa "certamente uma má notícia".