O ex-funcionário da Meta, Sattizahn, testemunhou que a empresa teria dado ordens diretas para a eliminação de documentos que poderiam comprometer sua imagem. Essa declaração é parte de uma ação judicial que envolve 29 estados dos Estados Unidos, acusando a gigante da tecnologia de práticas que visam viciar usuários jovens. O advogado da Meta, Paul Schmidt, refutou as alegações, afirmando que "pesquisas não mostraram uma ligação clara entre o uso de redes sociais por adolescentes e a falta de bem-estar".
O depoimento de Sattizahn, divulgado no último dia 18, destaca que, desde o vazamento de relatórios internos em 2021 pela delatora Frances Haugen, a Meta passou a encarar as investigações sobre os danos causados por suas plataformas como questões que poderiam prejudicar a marca. Naquele período, estudos internos que revelavam os efeitos nocivos das redes sociais na saúde mental de adolescentes foram divulgados, causando repercussão significativa.
Nos documentos apresentados à corte no estado do Novo México, a Meta afirmou que está empenhada em realizar pesquisas de ponta para identificar problemas relevantes. A empresa expressou sua frustração ao ver que esse trabalho estava sendo utilizado para sustentar uma narrativa que consideram falsa. Apesar de afirmar que continuará a investigar os danos às crianças, Sattizahn relatou que a empresa começou a criar barreiras ao trabalho de pesquisa.
O ex-funcionário mencionou que qualquer investigação relativa à verificação de idade passou a ser marcada por intensa interferência do departamento jurídico. Ele descreveu essa política de supervisão como um "funil de manipulação", onde a presença obrigatória de advogados em todas as etapas da investigação científica servia para silenciar os cientistas. Os relatórios frequentemente eram alterados, Segundo Sattizahn.
Além disso, a Meta revelou que no ano passado removeu mais de 36 milhões de publicações que faziam referências à exploração sexual de menores, destacando seus esforços contra aplicativos que promovem a remoção de roupas. O ex-diretor de engenharia, Arturo Béjar, também testemunhou que a diretriz interna da empresa priorizava lucros em detrimento da segurança dos usuários.
Em uma conferência com acionistas realizada no dia 29, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, ressaltou que a empresa está atenta aos riscos legais e regulatórios que podem impactar significativamente os seus resultados financeiros. Ele comentou que a companhia continua a observar o escrutínio em relação a questões ligadas a jovens, com vários julgamentos programados para este ano nos EUA, que podem resultar em perdas materiais.