O colesterol elevado, especialmente o tipo LDL-C, é um dos principais fatores de risco para eventos cardiovasculares severos, como infartos e AVCs (acidente vascular cerebral). As orientações de diversas entidades médicas enfatizam a importância de manter baixos níveis dessa lipoproteína. No Brasil, a recomendação para indivíduos com risco cardiovascular muito alto, como aqueles que já tiveram infarto ou AVC, é que o LDL fique abaixo de 50 mg/dL, bem inferior aos 150 mg/dL indicados para pessoas com baixo risco e aos 70 mg/dL para aqueles com risco alto devido a condições como diabetes e hipertensão.
O cardiologista Raul Santos, do Einstein Hospital Israelita, destaca que a maioria das pessoas que sofre um infarto apresenta concentrações de LDL-C entre 120 e 130 mg/dL. Para reduzir essa taxa a 50 mg/dL, é necessário uma diminuição de 60 a 70% do nível original. No entanto, estudos revelam que apenas cerca de 20% dos pacientes conseguem atingir essas metas, o que requer cuidados com diferentes medicamentos.
O tratamento para o colesterol elevado geralmente envolve o uso de estatinas, como atorvastatina e rosuvastatina, que atuam bloqueando a enzima HMG-CoA redutase, responsável pela produção de LDL. Contudo, muitos pacientes não conseguem alcançar o objetivo desejado apenas com esses medicamentos, necessitando da combinação com outros fármacos, como a ezetimiba.
Esse cenário de politerapia pode dificultar a adesão ao tratamento, levando muitos pacientes a abandonarem a medicação. Além disso, hábitos de vida saudáveis, incluindo uma dieta equilibrada e a prática de atividade física, são fundamentais para o controle do colesterol. A adoção de uma alimentação rica em frutas, verduras e alimentos minimamente processados contribui para uma saúde cardiovascular melhor.
O tabagismo também é um fator crítico. Estudos indicam que, seis meses após a interrupção do consumo de tabaco, o risco de um evento cardiovascular é reduzido pela metade. Santos enfatiza a importância da cessação do tabagismo, tanto para indivíduos sem histórico de problemas cardíacos quanto para aqueles que já enfrentaram complicações.
Além disso, fatores como estresse, ansiedade e sintomas depressivos devem ser considerados na prevenção de doenças cardíacas. A saúde mental é tão importante quanto a saúde física, e sua valorização pode impactar positivamente na redução dos riscos cardiovasculares.