Após ser mencionado em um relatório da Polícia Federal que investiga a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria decidiu se manifestar sobre o assunto. Faria negou qualquer irregularidade em sua atuação e afirmou que não tinha conhecimento sobre o valor do contrato, que totalizou R$ 131 milhões, firmado entre o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes, e o Banco Master.
Em entrevista ao site Correio da Manhã, Fábio Faria, que foi ministro no governo Jair Bolsonaro, comentou as críticas que recebeu de membros do campo conservador em relação à sua proximidade com Moraes e as conversas que manteve com o ministro após sua saída do governo. Ele destacou que seus vínculos com Moraes precedem sua atuação no Executivo e fazem parte de suas relações pessoais posteriores à vida pública.
Quando questionado sobre a indicação do escritório de Viviane Barci a Vorcaro, Fábio Faria explicou que a sugestão ocorreu em um contexto de um processo judicial que Vorcaro enfrentava no Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele mencionou que, no final de 2023, Vorcaro afirmou que se tratava do único processo que possuía. Faria acrescentou que não participou de reuniões com o escritório e não avaliou o processo, uma vez que não é advogado, e que não tinha conhecimento sobre os honorários.
O ex-ministro também se defendeu de acusações sobre sua participação nas conversas que discutiram a duração do contrato. Ele afirmou que foi consultado após o próprio advogado de Vorcaro ter reduzido os conflitos entre os Poderes e que sua missão como ministro incluía a interlocução com diferentes setores, como a imprensa e o Judiciário, especialmente em um período de tensões institucionais.
Fábio Faria relembrou sua atuação no governo Bolsonaro, onde chegou em 2020, em um momento crítico de conflitos entre os Poderes. Ele enfatizou que seu trabalho incluía a busca por uma comunicação efetiva entre as instituições e que conheceu o ministro Alexandre de Moraes antes e durante o governo, tendo sempre procurado amenizar desavenças.
Por fim, Faria fez uma correção sobre uma suposta aproximação entre o presidente Lula e o ministro Moraes, afirmando que não houve intermediação de sua parte. Ele esclareceu que a situação mencionada se referia a um evento institucional, que contou com a presença de diversas autoridades, e não a uma ação de sua autoria.