O Banco Central (BC) está considerando um endurecimento nas regras de capital das instituições financeiras como uma estratégia para mitigar o aumento do endividamento e prevenir uma crise de crédito no Brasil. Este movimento ocorre em um momento em que o setor financeiro está em alerta, especialmente em relação às operações de cartão de crédito e empréstimos não consignados, que são conhecidos por suas taxas de juros elevadas.
Fontes do mercado indicam que o BC deve revisar o Fator de Ponderação de Risco (FPR), que determina o capital que as instituições devem manter para operar de forma segura. Essa mudança exigiria que os bancos, incluindo os digitais, mantivessem um capital mais elevado para conceder crédito nessas modalidades, o que, na prática, pode resultar em um aumento nos custos para os consumidores.
Historicamente, é raro que o BC antecipe suas ações, mas o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) já iniciou discussões sobre medidas específicas para o mercado de crédito. A ata do Comef, divulgada em 2 de setembro, não apresentou um cronograma para a implementação das novas regras, mas serviu como um aviso aos agentes financeiros sobre a necessidade de uma concessão de crédito mais responsável.
Além disso, o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, havia destacado previamente que o crédito pessoal não consignado é uma das modalidades mais arriscadas, com taxas médias de 149,5% ao ano, em contraste com os 27,5% das linhas de empréstimo que possuem garantias. Esse cenário levanta preocupações sobre a capacidade de pagamento dos consumidores e a crescente inadimplência.
A situação é ainda mais complexa quando se considera o crédito consignado privado, que, embora possua garantias, apresenta índices de inadimplência elevados. Essa modalidade é uma das principais responsáveis pelo crescimento do endividamento entre as famílias brasileiras, o que impacta diretamente o consumo e, consequentemente, a performance do varejo.
Com a alta nos níveis de endividamento, muitos bancos já notaram um aumento na inadimplência, reportando resultados financeiros abaixo das expectativas. O presidente do BC tem enfatizado que o modelo de crescimento baseado em renda e crédito, apoiado por políticas públicas do governo, atingiu um ponto crítico, exigindo uma reavaliação das práticas atuais no setor financeiro.