Durante uma entrevista ao SP1, da TV Globo, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, manifestou sua insatisfação com os contratos da Sabesp, dos pedágios Free Flow e da privatização da CPTM, descrevendo-os como "mal feitos". A declaração foi feita na segunda-feira, 14 de setembro de 2026, e Haddad afirmou que, caso vença as eleições, pretende revisar esses acordos.
Haddad mencionou que a revisão dos contratos será baseada em uma metodologia semelhante àquela que utilizou enquanto era ministro da Fazenda, destacando um caso específico em que renegociou um acordo com a Vale, o que resultou na recuperação de R$ 4 bilhões para o governo. Ele informou que uma equipe de governo será responsável por essa revisão, que incluirá a renegociação de cláusulas, aplicação de multas e, se necessário, a judicialização dos contratos.
Em relação à Sabesp, Haddad criticou o aumento das tarifas e o crescimento no número de reclamações registradas no Procon, afirmando que a qualidade do serviço prestado está aquém do esperado. Ele comentou: "Vocês estão oferecendo um serviço mais caro e pior quando fornecem água. E as reclamações no Procon estão batendo recordes. Não dá para ser assim com uma empresa que sempre funcionou bem".
Questionado sobre a possibilidade de uma redução nas tarifas de água, Haddad não se comprometeu, ressaltando que a efetivação de uma eventual diminuição dependeria da revisão das cláusulas de reajuste do contrato.
O candidato também teceu críticas à privatização da CPTM, indicando que houve um aumento de 27% nas falhas nos serviços após a concessão. Quanto ao sistema Free Flow, Haddad argumentou que o governador Tarcísio de Freitas adiou a implementação para 1º de janeiro de 2027, visando evitar desgaste político durante o período eleitoral. Ele alertou que esse adiamento pode resultar em novas despesas para o Estado, incluindo possíveis indenizações por descumprimento de contrato.
Haddad citou que o governo Tarcísio pagou cerca de R$ 7 bilhões em indenizações a concessionárias, sendo R$ 3,5 bilhões destinados ao metrô e aproximadamente R$ 2,5 bilhões referentes a compensações pela queda na arrecadação de pedágios durante a pandemia. Ele também destacou que a reserva financeira do Estado caiu de R$ 23 bilhões para R$ 5 bilhões, afirmando que dedicaria o primeiro semestre de um eventual governo à recuperação das finanças públicas.