O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, manifestou sua reprovação ao acordo firmado entre os países integrantes do Escudo das Américas, que classifica organizações narcotraficantes como "ameaças compartilhadas". Essa iniciativa, promovida pelo governo dos Estados Unidos sob a liderança do presidente Donald Trump, do Partido Republicano, visa implementar a primeira ação conjunta no combate ao que consideram um "flagelo do narcoterrorismo". Durante um evento na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, Lula afirmou que o Brasil não necessita da "intromissão americana" para enfrentar o crime organizado.
Em seu discurso, Lula destacou que após sua apresentação na ONU, Trump se reuniu com 14 presidentes da América do Sul, deixando apenas o presidente do Uruguai e ele fora dessa aliança. O presidente brasileiro questionou a efetividade dessas discussões, ressaltando que não foram apresentadas evidências concretas de traficantes ou ações efetivas contra o narcotráfico na região. Os países que aderiram ao Escudo das Américas incluem a República Dominicana e Trinidad e Tobago.
Lula criticou a categorização de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como "terroristas", argumentando que essas organizações não operam por ideologias, mas sim em busca de lucro. O presidente enfatizou que a luta contra o crime organizado no Brasil é uma questão financeira e que o governo se compromete a devolver o território às comunidades periféricas.
"Nós não precisamos da intromissão americana. Nós sabemos nos cuidar", afirmou Lula, reiterando sua posição de que o Brasil pode gerir seus próprios desafios sem depender de intervenções externas.
Além das críticas ao acordo e ao governo dos EUA, Lula também fez uma comparação entre sua fala na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU e a postura de Trump, que, segundo ele, age como se estivesse ameaçando outros países. O presidente brasileiro declarou que não deseja entrar em conflito com o líder norte-americano, mas sim superar Trump em termos de narrativa política.
O ato no Rio contou com a presença de várias personalidades da cultura brasileira, como Tati Quebra Barraco e Antonio Pitanga. Embora houvesse expectativa de que Caetano Veloso e Maria Bethânia estivessem presentes, ambos não compareceram ao evento. No dia 13 de setembro, Caetano Veloso expressou apoio a Lula durante um show em Taguatinga, no Distrito Federal, fazendo o gesto “L” e incentivando o presidente.