O subprocurador-Geral da República, Francisco de Assis Vieira Sanseverino, se posicionou contra a abertura de uma investigação a respeito do procurador-Geral da República, Paulo Gonet, durante uma sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF). O procedimento interno está sendo analisado após a Polícia Federal encontrar mensagens no celular de Daniel Vorcaro, que é o fundador do Banco Master, nas quais o PGR é mencionado.
A sessão foi presidida pelo vice-presidente do Conselho, Nicolao Dino, que também é subprocurador-Geral da República e irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Paulo Gonet não esteve presente, pois é o foco do procedimento em questão. Sanseverino sustentou que não existem mensagens diretas entre Gonet e Vorcaro.
O relator destacou que não houve qualquer solicitação de vantagens, viagens ou outros benefícios por parte do procurador-geral. Ele afirmou que as conversas em questão envolvem terceiros, incluindo o investigado e Daniel Vorcaro, além de Ciro Soares, sem qualquer participação direta ou indireta de Gonet.
Sanseverino também enfatizou que a função do Conselho Superior do MPF não é determinar um possível impedimento ou suspeição do relator, dado que suas atribuições são limitadas. O relator ainda acrescentou que qualquer crime de responsabilidade envolvendo o procurador-geral deve ser analisado pelo Senado.
A análise do caso, portanto, se limita a verificar a existência de indícios de crime comum. O relator observou que, nas mais de 200 páginas do relatório da Polícia Federal, as mensagens de terceiros mencionam Gonet, mas sem evidências de um relacionamento com Vorcaro.
Durante sua manifestação, o conselheiro reforçou que a posição da Procuradoria-Geral da República, que em março de 2026 solicitou mais tempo para avaliar um pedido de prisão de Vorcaro, não configura um favorecimento ao ex-banqueiro. Ele argumentou que a quantidade excessiva de documentos recebidos em um intervalo de 72 horas exigiria um prazo adicional para a análise da terceira fase da operação Compliance Zero.