No sábado, dia 26 de setembro de 2026, o papa Leão 14 presidiu uma missa na Praça da Concórdia, em Paris, que reuniu cerca de 800 mil pessoas, conforme estimativa da Santa Sé. A cerimônia foi dedicada à Virgem Maria, mãe de Jesus, e representa a primeira visita do papa à capital FRANCESA em 18 anos.
A Praça da Concórdia, que já foi chamada de Praça da REVOLUÇÃO, é um local histórico, conhecido por ter sido palco de importantes execuções durante a REVOLUÇÃO FRANCESA. Entre os eventos mais notáveis, destaca-se a guilhotinação do rei Luís 16 em 21 de janeiro de 1793. O rei, que era católico, havia sido coroado como monarca da França e de Navarra na Catedral de Reims em 11 de junho de 1775, seguindo a tradição do Antigo Regime.
Durante a homilia, o papa Leão 14 enfatizou que Cristo é a “fonte de água viva” e que os anseios humanos por significado e realização não podem ser atendidos apenas por bens materiais. Ele fez um apelo aos católicos franceses para que expressem publicamente sua fé, afirmando: “Não guardeis a fé em Jesus Cristo só para vós mesmos”.
O papa também ressaltou que os participantes da missa são herdeiros de uma rica história sacra na França, incentivando-os a construir uma “nação renovada” a partir de suas raízes cristãs. Além disso, ele recordou a memória de santos e mártires que marcaram a trajetória do país e manifestou seu desejo de que “a água viva do Espírito Santo” se espalhe por toda a nação.
Antes da missa, Leão 14 realizou uma oração na igreja Saint-Joseph-des-Carmes, localizada no Instituto Católico de Paris. Em seguida, percorreu o caminho dos mártires de 2 de setembro de 1792, um local que, durante a REVOLUÇÃO, foi transformado em prisão para sacerdotes que se recusavam a jurar fidelidade à Constituição Civil do Clero. O Instituto relata que mais de 160 padres foram encarcerados ali, e em 2 de setembro de 1792, cerca de 115 sacerdotes e bispos foram assassinados em um massacre após um julgamento sumário.
A exigência de que os membros do clero jurassem lealdade à nova ordem revolucionária causou divisões na Igreja, criando uma linha entre os sacerdotes “constitucionais”, que aceitaram o juramento, e os “refratários”, que se opuseram. Durante o ano de 1792, o Estado começou a retirar da Igreja diversas atribuições, como o registro civil e a autorização para casamentos, além de permitir o divórcio.