A ministra Estela Aranha, membro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou seu voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. Em uma decisão proferida na quinta-feira, 1º de outubro de 2026, Estela foi responsável por determinar que a Globo não poderia exibir o púlpito reservado ao presidente durante o debate presidencial que estava programado para aquela noite, o qual acabou sendo cancelado. Além disso, a emissora ficou proibida de aceitar perguntas direcionadas ao candidato que não compareceu.
Em um vídeo que circulou nas redes sociais, Estela afirmou: "Eu voto em Lula no 2º turno, voto 13, porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula para estancar o aumento do autoritarismo, para defender o Estado Democrático de Direito e a democracia no país. Os advogados devem votar em Lula, inclusive para salvar o próprio sistema de justiça".
Estela Aranha é advogada graduada pela Universidade de São Paulo e possui vínculo com o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), uma instituição de ensino superior privada criada em 1998, em Brasília, pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela tem uma relação próxima com Flávio Dino, atual membro do STF, e já exerceu a função de secretária de Direitos Digitais no Ministério da Justiça durante a gestão dele. Além disso, Estela foi assessora especial da Presidência da República no governo Lula e assumiu a posição de ministra do TSE em agosto do ano anterior, indicada pelo petista.
A liminar concedida por Estela Aranha suspendeu um item da "Ata Debate Presidencial 2026", que definia regras para candidatos que não estivessem presentes no debate. Essa norma permitia a manutenção do púlpito vazio, com identificação nominal e destaque para a ausência do candidato, além de autorizar que os candidatos presentes realizassem perguntas ao ausente. Na sua decisão, a ministra defendeu que a participação em debates é opcional e que a ausência de um candidato não deve resultar em medidas coercitivas.
"A consequência jurídica da ausência é simplesmente que ele perde a oportunidade de participar daquela rodada, enquanto o debate continua segundo as regras previamente acordadas. Mas sem consequências que possam ser coercitivas", afirmou Estela em sua argumentação.
A decisão do TSE, que impediu a Globo de exibir o púlpito vazio de Lula, levou ao cancelamento do debate presidencial, gerando críticas de entidades de jornalismo e reações de figuras como Renan, Zema, Caiado e Cury, que se manifestaram contra a intervenção judicial no evento. O cancelamento do debate foi atribuído a uma suposta "insegurança jurídica" decorrente das determinações do TSE.