Davi Alcolumbre anunciou sua intenção de votar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 durante a semana de esforço concentrado em outubro. A eleição trouxe Flávio Bolsonaro como o candidato mais votado, reduzindo as expectativas de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Iniciativas como o Bolsa Família, o programa Desenrola, o aumento do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil não conseguiram se traduzir em apoio nas urnas.
A votação da PEC nesta semana se torna crucial, pois representa a única oportunidade para o governo Lula conquistar uma vitória significativa antes do segundo turno, especialmente contra um adversário que saiu na frente e o PL de Rogério Marinho, que se opõe a discutir o tema entre os turnos. A pressão para recuar é intensa, mas esse recuo pode levar a uma situação desfavorável. A direita, após as eleições, obteve pelo menos 48 das 81 cadeiras do Senado e possui candidatos próprios para liderar a Casa, como Tereza Cristina e o próprio Rogério Marinho, além de Arthur Lira.
A estratégia para Davi Alcolumbre de retornar à presidência do Senado depende de um alinhamento com o governo. Com Lula reeleito, a aliança entre o governo, MDB, PSD e uma parte do centrão pode assegurar os 41 votos necessários para aprovar a PEC, excluindo o PL. Davi, que já havia enfrentado uma derrota no Amapá, chega a essa nova negociação em uma posição mais vulnerável, apostando em um candidato que começou a corrida eleitoral em desvantagem.
É preciso considerar também os riscos de uma votação mal-sucedida. Em setembro, o governo já havia optado por não votar devido à incerteza sobre os 49 votos favoráveis. A decisão agora recai sobre um Senado em seu último mandato, repleto de senadores que não conseguiram se reeleger. Uma rejeição à PEC deixaria Davi com o desgaste da tentativa sem resultados concretos.
No cenário atual, a coragem de Alcolumbre é necessária para garantir que os votos estejam assegurados antes da votação. Caso a PEC não seja aprovada, a semana poderá resultar em um custo político elevado, superando as consequências que ele poderia enfrentar no mês de fevereiro.
A eleição para a presidência do Senado é interpretada No Supremo como uma continuação da votação anterior. A possibilidade de Davi assumir a cadeira no STF é considerada uma das opções mais viáveis para que o Judiciário e o Legislativo encontrem um consenso sobre a reforma da Justiça, evitando um cenário conflituoso.