A educação para a cultura digital requer um esforço coletivo e robusto, como destacou a professora doutora Catarina Gonçalves no 22° Congresso Internacional de Inovação na Educação. O evento, promovido pelo Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE, teve como tema central "Construção de Identidades entre Telas: o ECA Digital e a proteção dos adolescentes". Catarina ressaltou a relevância do envolvimento de famílias, escolas, do Estado e da sociedade na proteção de crianças e adolescentes frente às complexidades do mundo digital.
Catarina Gonçalves abordou a instituição do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025), afirmando que ele sozinho não é suficiente para lidar com a intersecção entre o mundo virtual e o real. A professora enfatizou que as crianças não estão apenas em perigo quando estão diante de uma tela, mas que novas formas de proteção são necessárias à medida que elas se desenvolvem em um ambiente repleto de tecnologia, mesmo fora do espaço digital. "Desligar a tela não resolve o problema", afirmou.
Um dos pontos discutidos foi a restrição ao uso de celulares e dispositivos eletrônicos em escolas, conforme a Lei nº 15.100/2025. Embora essa medida tenha um valor pedagógico, é essencial compreender como o ambiente digital influencia a subjetividade, a autoestima e as interações sociais de crianças e adolescentes. As consequências da cultura digital na formação das novas gerações exigem uma nova abordagem nas práticas educativas.
Catarina também destacou que o ECA, que completou 36 anos, enfrenta o desafio de garantir a proteção de crianças também no espaço digital. Ela reiterou a necessidade de que projetos educativos considerem a influência da tecnologia na vida social e emocional das crianças.
O 22° Congresso Internacional de Inovação na Educação, que ocorre até a próxima quinta-feira (8) no RioMar Eventos, no Recife, abrange temas como Inovação na Era Digital, empreendedorismo e desafios na educação profissional. O evento conta com mais de 20 atividades programadas, incluindo palestras e oficinas sobre temas contemporâneos como cultura maker, robótica e metodologias ativas.
Catarina Gonçalves finalizou sua apresentação enfatizando a importância do papel de todos na educação das novas gerações, reforçando que é fundamental combater questões como racismo e machismo, mesmo que pareçam distantes da realidade atual.