A Articulação de Esquerda (AE), a corrente mais à esquerda dentro do Partido dos Trabalhadores, apresentou, em 8 de outubro de 2026, críticas contundentes à maneira como a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi conduzida, além de apontar falhas na administração do governo. A insatisfação se intensificou após o primeiro turno das eleições, onde Lula ficou atrás do candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
Os líderes da AE, incluindo o historiador e professor Valter Pomar, destacaram que um dos principais erros foi a subestimação da força dos adversários. A corrente apontou que houve uma crença infundada de que a eleição se encerraria com uma vitória de Lula já no primeiro turno. Outro equívoco identificado foi a ênfase excessiva em comparar legados e realizações passadas, ao invés de focar no futuro.
Além disso, a corrente criticou a dificuldade de acesso ao material de campanha. Embora não tenha citado diretamente o presidente do PT, Edinho Silva, a AE mencionou a “incompetência, inapetência e falta de tesão” de parte da direção nacional do partido, começando pela presidência, que assumiu a coordenação geral da campanha. Apesar das críticas, a corrente acredita que Lula ainda pode vencer no segundo turno.
Entre os pontos levantados, a AE destacou a necessidade de uma nova abordagem, como a falta de candidaturas petistas a governador nos estados do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, a demora em definir a candidatura em Minas Gerais e a falta de empenho em São Paulo, onde a campanha para governador parecia estar apenas “cumprindo tabela”.
A corrente também mencionou a escassez de materiais de campanha e reiterou a necessidade de mobilização interna, sugerindo que a militância deve criar seu próprio material. A crítica se estendeu ao resultado eleitoral que favoreceu a direita, que a AE afirmou não ter sido uma surpresa.
A intenção de fortalecer a militância foi expressa com a frase: “É urgente empoderar quem tem sangue nos olhos e disposição real de vencer”. A AE ainda fez menção ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano, destacando que o segundo turno é crucial para o futuro do Brasil, da América Latina e do Caribe, além de ser fundamental para impedir que a extrema direita e o imperialismo dominem a região, colocando as riquezas a serviço de projetos neofascistas.