As ações de empresas do setor varejista e de consumo apresentaram algumas das maiores valorizações na Bolsa de Valores brasileira após o primeiro turno das eleições, que ocorreu no início de outubro. Entre os dias 5 e 9 do mês, o Ibovespa registrou uma alta de 8,82%, alcançando um recorde de fechamento nominal e ajustado pela inflação, totalizando 209 mil pontos.
O resultado das eleições, que viu Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi um fator impulsionador para o mercado financeiro. A expectativa é que o governo sob a liderança de Bolsonaro adote uma postura mais rigorosa em relação à disciplina fiscal, o que trouxe alívio aos investidores.
Com a perspectiva de uma melhora nas contas públicas, a curva de juros apresentou uma queda de aproximadamente 1,5 ponto percentual na mesma semana. Este cenário favorável contribuiu para que as ações da Magazine Luiza (MGLU3) subissem 60,58%, tornando-se o ativo com a maior valorização após o primeiro turno. Outras empresas como Vamos (VAMO3) e Smartift (SMFT3) também se destacaram nas altas.
Adicionalmente, o setor educacional, sensível às variações da curva de juros, observou um desempenho positivo, com as ações da Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3) crescendo mais de 30% na mesma semana. Empresas com alta alavancagem, que se beneficiam da redução nas taxas de juros, também registraram avanços significativos, como é o caso de Vamos, Localiza (RENT3) e Smartif.
A Cosan, por sua vez, começou a reavaliar a venda de ativos após o fortalecimento das condições de mercado pós-eleitoral. A empresa, que conseguiu reduzir sua dívida pela metade no último ano, está considerando novas propostas, incluindo a possível venda de parte de sua participação na Rumo, conforme informações da Bloomberg Línea.
A MRV (MRVE3) divulgou sua prévia operacional referente ao terceiro trimestre de 2026, que foi bem recebida pelos investidores, contribuindo assim para a valorização de suas ações. A companhia reportou geração de caixa de R$ 456 milhões, impulsionada por vendas de ativos nos Estados Unidos. No acumulado dos últimos 12 meses, a unidade MRV Incorporação apresentou uma geração de caixa de R$ 130 milhões, revertendo o cenário de queima de R$ 349 milhões registrado no período anterior.