A chegada de um navio de cruzeiro em um porto não representa apenas a chegada de turistas, mas também a ativação de uma economia flutuante. Desde o abastecimento de combustível até a logística de alimentos e bebidas, cada embarcação movimenta uma série de atividades que impulsionam a economia local. Na temporada de cruzeiros de cabotagem de 2025/2026, o Brasil gerou R$ 4,28 bilhões, recebendo 602.864 passageiros e sustentando 64.529 postos de trabalho, além de arrecadar R$ 166,3 milhões em tributos.
Quando consideramos os navios internacionais que passaram pelo Brasil, o impacto total atinge R$ 4,76 bilhões, com a criação de mais de 72 mil empregos e a arrecadação de R$ 217,45 milhões em tributos. Entretanto, apesar desses números expressivos, o país ainda enfrenta o desafio de perder embarcações para mercados mais competitivos.
Essa contradição foi um dos temas centrais do 8º Fórum CLIA Brasil, realizado em agosto em Brasília. Bud Darr, presidente e CEO da Cruise Lines International Association (CLIA), afirmou que o Brasil possui potencial para acompanhar ou até superar o crescimento do setor em nível global, desde que condições competitivas sejam estabelecidas para atrair os navios de cruzeiro.
Marco Ferraz, presidente da CLIA no Brasil, destacou que operar no país é mais de 50% mais caro do que a média em outros destinos, como no Caribe e na Europa. Ele enfatizou que a tarefa não é apenas convencer os brasileiros a optar por cruzeiros, mas também persuadir as companhias a manter suas embarcações no Brasil.
O impacto de uma viagem de cruzeiro é significativo. Atualmente, cerca de 30% dos brasileiros que fazem cruzeiros o estão experimentando pela primeira vez. Além disso, as agências de viagens desempenham um papel crucial, com mais de 75% das vendas realizadas por meio desses profissionais. A CLIA acredita que a capacitação de mais agentes pode aumentar a demanda e, consequentemente, tornar o país mais atrativo para novas embarcações.
Renê Hermann reforçou que a demanda está presente e que, se os desafios forem superados, o Brasil poderá receber mais navios em temporadas futuras. O Ministério do Turismo também está investindo nessa expansão, com o objetivo de criar operações mais contínuas, reduzindo a sazonalidade e aumentando a geração de empregos e renda ao longo do ano.