O deputado federal André Janones (Rede-MG) reeleito em 2026 ampliou sua atuação digital com o canal "Exército do Lula", mantido no WhatsApp, que reúne 4,91 milhões de seguidores. O espaço foi alvo de disputas judiciais durante a campanha presidencial e chegou a ser suspenso por decisões do Tribunal Superior Eleitoral.
A estratégia do canal aposta em linguagem com tom militar, com missões e comandos, e na chamada gamificação da política, que inclui tarefas de compartilhamento, emojis e áudios de convocação. Em gravação de 16 de outubro, o deputado pediu engajamento imediato nas redes sociais. Em outro áudio, ironizou ao dizer que a função de fazer hashtags no X era dos apoiadores, não de Lula.
Segundo Janones, a orientação para curtir, comentar e compartilhar antes de assistir aos vídeos estimula o algoritmo da Meta, sinalizando relevância e ampliando a distribuição orgânica. Ele declarou que a linguagem militar serve para engajar e que a ideia é aplicar no segundo turno a mesma estratégia de grupos de mobilização usada por oposicionistas como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Janones negou publicar fake news no canal e disse reservar críticas mais duras aos perfis pessoais.
A oposição questionou judicialmente a atuação do grupo e pediu a suspensão do canal sob alegação de disseminação de notícias falsas. Em 11 de outubro, o ministro Nunes Marques determinou à Meta a suspensão do espaço até a homologação do resultado do segundo turno, mas a decisão foi revertida no mesmo dia pelo corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, menos de 4 minutos após receber petição da campanha de Lula. Em 13 de outubro, nova decisão de Nunes Marques voltou a determinar a suspensão e estabeleceu condições para reativação, entre elas a comunicação do endereço do canal à Justiça Eleitoral.
A campanha de Lula informou ter registrado o canal como meio oficial de comunicação. Às 13h50 daquele dia, o espaço tinha 4,2 milhões de seguidores e seguia no ar. Nunes Marques reviu a determinação após verificar que o endereço havia sido informado no registro de candidatura, mas manteve a exigência de identificar o responsável pela propaganda eleitoral perante os usuários. Um relatório técnico do TSE que analisou mensagens publicadas de 2 a 11 de outubro não identificou informações falsas no material examinado, ressalvando limitações por mensagens apagadas. Em 15 de outubro de 2026, a Corte Eleitoral aprovou resolução que permite o uso imediato de canais oficiais registrados entre o primeiro e o segundo turno, após aprovação pela Justiça Eleitoral.