Três estudantes de 14 anos do 9º ano do Colégio e Curso Desafio, em Recife, criaram a plataforma Pense Bem para avaliar os riscos de conteúdos antes de serem publicados. Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira desenvolveram a ferramenta a partir da pergunta sobre até onde vai o impacto do que as pessoas criam com a Inteligência Artificial.
Na plataforma, o usuário insere a publicação que pretende fazer e recebe um cálculo de risco, segundo Beatriz Vasconcellos. A ferramenta verifica se o conteúdo pode ter um efeito dominó negativo. O convite para quem acessa é pensar no impacto antes de publicar, e a partir daí são feitas perguntas para avaliar se o conteúdo oferece risco ao ser divulgado.
Entre os questionamentos estão se o material envolve nudez, conteúdo íntimo ou sexual de alguém menor de 18 anos ou de qualquer pessoa sem consentimento, se foi gerado ou editado por IA, se há pessoas reais reconhecíveis, se elas deram consentimento e se os fatos são mostrados como realmente aconteceram. A plataforma classifica o conteúdo quanto ao risco e aponta se é possível fazer adequações para evitar desinformação e danos à população.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) classificou a desinformação como principal risco global para 2025 e para os anos seguintes, à frente das mudanças climáticas, da crise ambiental, dos fluxos migratórios, da violência e do terrorismo. As estudantes fizeram pesquisas e entrevistas com professores, estudantes e especialistas para desenvolver o trabalho.
A plataforma já está no ar, mas ainda deve ser aprimorada para ser lançada oficialmente. O Pense Bem tem desdobramentos voltados para a formação nas escolas, com jogos e uma formação em educação digital ainda em desenvolvimento. O trio também desenvolveu a plataforma Fato ou Boato, para identificar notícias falsas, na qual é possível colar o link da notícia para que seja analisada a veracidade.