A lobista Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista à CNN no sábado (17), que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, atuava como lobista da Mota-Engil, empresa responsável pela obra do Túnel Santos-Guarujá. Segundo ela, Amauri Rodrigues Pinha, presidente do conselho da empresa no Brasil, era vizinho e amigo de Lulinha, e os dois se reuniam com frequência, inclusive na casa dela. Roberta e Lulinha são investigados pela Polícia Federal no caso das fraudes do INSS.
Perguntada se presenciou os dois tratando de negócios, a lobista recuou. "Não sei, porque era em porta fechada", respondeu, admitindo não ter informação sobre irregularidade. Ela também citou uma empreiteira com contrato de dois bilhões no país, valor que não corresponde exatamente a nenhum contrato conhecido da Mota-Engil. O túnel é o maior negócio da empresa no Brasil, com obra estimada em R$ 7,8 bilhões.
A Mota-Engil venceu o leilão em setembro de 2025, na B3, com desconto de apenas 0,5% sobre a contraprestação anual. A única rival, a espanhola Acciona, não ofereceu desconto algum. O contrato prevê aportes públicos de cerca de R$ 2,6 bilhões da União e R$ 2,7 bilhões de São Paulo. Sozinho, o acordo responde por mais da metade da carteira da empreiteira no país e é o único que ultrapassa R$ 2 bilhões de investimento federal.
O governo de Tarcísio de Freitas conduziu a licitação por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos, homologou o resultado em novembro de 2025 e assinou o contrato em 28 de janeiro. A obra recebeu R$ 561 milhões para desapropriações, um crédito suplementar de R$ 2,64 bilhões e um financiamento de R$ 2,57 bilhões com o Banco do Brasil. A Autoridade Portuária de Santos reclamou de ter sido excluída do anúncio.
Do lado federal, Alckmin, Haddad, Silvio Costa Filho e Márcio França estavam na B3 no dia do leilão. Amauri Pinha teve reuniões registradas no BNDES, uma delas na véspera da assinatura do contrato. Em março, o TCU travou o repasse da União por falta de regras de controle e só o liberou em maio. A entrevista ocorreu a oito dias do segundo turno e na véspera do debate da Band, após Lula ter chamado Roberta de pilantra em agosto e de "Vorcaro feminino" em outubro.