A Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) informou nesta terça-feira (20/10) que mais de 250 mil pessoas deixaram suas casas no Iêmen desde a retomada dos confrontos entre Os Houthis, a Arábia Saudita e forças iemenitas. O balanço foi divulgado em meio à escalada das hostilidades no país.
A província de Taiz é a mais atingida pelos deslocamentos forçados, respondendo por 76% dos casos registrados entre 1º de agosto e 17 de outubro. A região está sob cerco dos Houthis, que tentam avançar para assumir o controle do local, considerado estratégico para o acesso do Iêmen ao Mar Vermelho e ao Golfo de Aden. Países vizinhos como Djibouti e Somália têm recebido iemenitas em busca de segurança.
Após anos de relativa paz, os confrontos recomeçaram em julho deste ano, quando Os Houthis e a Arábia Saudita trocaram acusações mútuas e retomaram as hostilidades. No segundo semestre de 2026, a trégua entre as partes foi rompida, e o grupo ampliou seu domínio no norte do Iêmen, passando a controlar praticamente todo o acesso do país ao Mar Vermelho.
Os Houthis são um movimento político-religioso criado na década de 1990, formado majoritariamente por seguidores do zaidismo, uma das vertentes do islamismo xiita. O grupo controla partes do Iêmen desde 2014, quando iniciou uma ofensiva contra o governo e deu início à guerra civil que já dura 14 anos. Em 2015, a Arábia Saudita formou uma coalizão militar para apoiar o governo reconhecido internacionalmente, e os combates seguiram até 2022, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) mediou um cessar-fogo.
A crise também envolve outras nações. Os Houthis, que recebem apoio do Irã e defendem a causa da Palestina, passaram a atacar navios ligados a Israel no Mar Vermelho após o início da guerra na Faixa de Gaza, além de lançar drones e mísseis contra território israelense. Os Estados Unidos e o Reino Unido atacaram posições do grupo entre 2024 e 2025. Recentemente, Paquistão e Turquia assinaram um pacto militar com a Arábia Saudita e sinalizaram disposição para enviar tropas ao território saudita.