A Shell anunciou o aumento de sua recompra trimestral de ações para US$ 5 bilhões. O movimento ocorre após a companhia registrar lucro ajustado de US$ 10,81 bilhões no terceiro trimestre, quase o dobro dos US$ 5,43 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado. Analistas consultados pela Vara Research projetavam US$ 10,33 bilhões.
O desempenho foi sustentado pelos preços elevados do petróleo e do gás, em meio ao conflito no Oriente Médio, e por margens de refino excepcionalmente altas. Em julho, a Shell havia anunciado uma recompra de US$ 3 bilhões, após reduzir o ritmo em relação aos US$ 3,5 bilhões registrados na primeira metade do ano.
O conflito no Oriente Médio manteve o petróleo acima de US$ 100 por barril, apesar de soluções alternativas, como o uso de oleodutos e transferências de carga entre navios, terem permitido que os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz voltassem aos níveis anteriores ao conflito. Um prêmio de risco geopolítico continua embutido nas cotações, diante da incerteza sobre a evolução do conflito. Na quarta-feira, o The Wall Street Journal informou que os Estados Unidos teriam alertado vários países árabes do Golfo para se preparem para uma campanha militar curta e intensa após o fim das eleições de meio de mandato americanas, citando pessoas informadas sobre as conversas.
As refinarias da Shell foram o principal destaque do trimestre, com as margens de refino saltando para o recorde de US$ 42 por barril, superando com folga os US$ 28,04 por barril registrados pouco após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Segundo a Wood Mackenzie, danos provocados por drones em refinarias russas e a redução da atividade de refino no Oriente Médio retiraram do mercado cerca de 6 milhões de barris por dia de capacidade, aperto intensificado por restrições chinesas às exportações. Na Europa, os preços do gás dispararam no trimestre, já que a região precisou substituir cargas perdidas do Oriente Médio, competindo com compradores asiáticos.
Para empresas com instalações de gás natural liquefeito (GNL) fora do Golfo, o movimento representou ganho expressivo. A Shell, com operações de GNL no Canadá, na Nigéria e na Austrália, se beneficiou, com o lucro da unidade de gás integrado avançando para US$ 3,04 bilhões. O impacto do conflito sobre a área de gás, porém, foi misto: a planta Pearl, de conversão de gás em combustíveis líquidos, no Catar, foi alvo de um ataque, e a produção ainda não foi retomada.