A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma análise técnica que questiona a preservação dos dados do celular dele, apreendido pela Polícia Federal (PF). O documento foi apresentado nesta quinta-feira (29) e aponta possíveis irregularidades que, se comprovadas, podem levar os advogados a solicitar a anulação das provas obtidas a partir do aparelho.
O celular foi apreendido em 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Segundo o relatório do perito Marcos Monteiro, contratado pela própria defesa, 657 arquivos tiveram registros de modificação em 18 de novembro, quando o telefone já estava sob custódia da PF. Outros 436 arquivos teriam sido criados na mesma data, incluindo preferências do sistema operacional, imagens e bancos de dados. A análise também identificou 999 arquivos com datas de modificação posteriores à apreensão, entre eles 340 registros de maio de 2026, além de 207 eventos de ativação da tela, 33 acionamentos da câmera frontal para reconhecimento facial e três conexões pela porta USB.
A defesa sustenta que esses registros precisam ser esclarecidos antes de o conteúdo do celular continuar sendo usado como prova. "É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado", declarou. O advogado Sergio Leonardo afirmou que pretende pedir a anulação das provas caso seja demonstrado comprometimento da integridade dos dados. "Uma prova contaminada contamina não só essa prova, mas também todas delas decorrentes. Se isso ficar comprovado, vamos pedir a anulação", disse. Ele também explicou que necessita dos dados brutos da extração para que o perito possa avaliar a integridade do material. "Eu preciso dos dados brutos da extração. Só depois disso o perito pode aferir isso, mas os indícios de prova ilícita são muito fortes", afirmou. A defesa relacionou os questionamentos ao pedido de liberdade do ex-banqueiro, alegando que ele está custodiado há mais oito meses sem acusação formal.
A apresentação da análise ocorreu um dia após a PF concluir o indiciamento de Vorcaro e outras 14 pessoas na investigação sobre operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Os indiciados respondem por suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o relatório policial, Vorcaro teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações e ocupava posição central nas decisões para obtenção de recursos. A defesa contesta as conclusões e nega prejuízo ao BRB, afirmando que o negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído e que a troca por outros ativos gerou resultados positivos. "Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo", afirmaram os advogados.