O Ministério das Relações Exteriores do Brasil solicitou explicações ao governo da Argentina sobre o envolvimento do governo de Javier Milei na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do território argentino. O pedido foi feito na quinta-feira (29), em conversa com a encarregada de negócios da Embaixada argentina em Brasília, a ministra-conselheira Emilia Cortés. A informação foi confirmada após ser revelada inicialmente.
A convocação da representante argentina já vinha sendo avaliada pelo Itamaraty ao longo da semana. Outra possibilidade considerada era o chanceler Mauro Vieira pedir esclarecimentos diretamente ao seu homólogo argentino, Pablo Quirno, Ministro das Relações Exteriores do país vizinho. Vieira viajou na noite de quinta-feira (29) para Atlanta, onde participa de reunião de chanceleres do G20 presidida pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Não há encontro bilateral previsto, mas o tema pode ser tratado no evento.
Publicamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve se manifestar sobre o assunto, e o governo não avalia, por ora, a volta dos embaixadores dos dois países. Desde agosto, o Brasil mantém seu embaixador fora de Buenos Aires, após Milei chamar Lula de "presidiário" e "ladrão" durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio, em São Paulo, em 25 de julho. No dia seguinte, o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, foi chamado à capital federal, e o governo rebaixou o nível da representação, sem romper formalmente as relações.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e seguiu de jato para Miami, com escala no Equador, chegando aos EUA na quarta-feira (28) acompanhado da mulher e das filhas. Ele estava com os passaportes cancelados por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a Polícia Federal apura como ele deixou o país. O governo argentino negou inicialmente que Flávio tivesse entrado em seu território, mas depois a Migração argentina informou que ele cruzou a fronteira com a família.
, o voo custou US$ 140 mil e foi pago por um corretor americano. O The New York Times informou que a aeronave foi providenciada por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca. O Clarín relatou que Santiago Caputo, assessor de Javier Milei, esteve em Puerto Iguazú na noite do embarque, e o site Urgente24 afirmou que a polícia aeroportuária argentina escoltou o grupo. Em Miami, Flávio divulgou uma carta em que não reconhece o resultado das eleições, alega fraude sem provas e se declara "verdadeiro presidente eleito do Brasil", depois trocando a expressão por "líder do Brasil" após pressão do Departamento de Estado americano, segundo a colunista Mariana Sanches, do UOL.