A ausência de percepção política de Flávio Bolsonaro transferiu a Tarcísio Gomes de Freitas a tarefa de representar os 60 milhões de brasileiros que votaram em Jair Bolsonaro. A avaliação é do artigo de André Gustavo Stumpf. Segundo o texto, Flávio não compreendeu que, após a derrota eleitoral, tornou-se o principal nome da oposição, com um partido que elegeu 29 senadores, 121 deputados federais e seis governadores.
De acordo com a análise, Flávio preferiu se alinhar a Donald Trump e se afastar do papel de líder de uma oposição numerosa. As cartas publicadas de Miami tentam apresentá-lo como perseguido político, mas o texto considera difícil convencer alguém, já que ele disputou eleição livre, não tem ordem de prisão e viu parentes eleitos. A decisão do Ministro Alexandre de Moraes de retirar seu passaporte, antes da posse dos novos parlamentares, antecipou a crise política.
O artigo compara a reação de Flávio a um novo Jânio Quadros, que renunciou à Presidência após oito meses esperando ser chamado de volta. Flávio, senador até janeiro de 2027, deixou a Rogério Marinho e Teresa Cristina a condução do enfrentamento no Congresso. A crise do Supremo Tribunal Federal é apontada como séria e profunda, e governo ou oposição terão que tratá-la.
Para o autor, o presidente Lula, reeleito aos 81 anos, precisará montar um governo mais ao centro, com objetivos definidos e realizações nítidas, sendo difícil insistir no aumento de impostos. O bolsonarismo enfrentará o declínio, o PDT de Brizola não ultrapassou a cláusula de barreira e o petismo sofrerá modificações. Partidos que giram em torno de um líder tendem a se extinguir quando ele sai de cena, e o Brasil terá a chance de entrar no século 21.