A Corregedoria Geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo investiga o investigador André Dziuba por suspeita de repassar informações sigilosas e favorecer o influenciador fitness e empresário Renato Cariani. O caso ganhou destaque após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentar alegações finais no processo criminal em que Cariani é réu por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
Segundo o MPSP, mensagens interceptadas mostram que Dziuba informava Cariani sobre diligências e investigações no setor de produtos químicos e suplementos. A Promotoria também sustenta que o policial atuou para esvaziar e travar um inquérito anterior contra o influenciador, que tramitava na 2ª Vara Criminal de Diadema e foi arquivado em 2023. As conversas indicam uma relação de amizade que ultrapassava o âmbito profissional, com o policial pedindo suplementos a Cariani e o consultando sobre produtos químicos. Em troca, o empresário teria indicado empresas concorrentes para serem fiscalizadas pelo agente.
Em uma das conversas, datada de 2019, Cariani confirmou ao investigador que a substância citrato de fentanila era usada por criminosos para aumentar o rendimento da cocaína, o que, para a promotoria, reforça que o empresário tinha conhecimento do destino ilícito dos insumos. O MPSP pediu a condenação de Cariani, Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil informou que os fatos serão apurados por meio de procedimento correcional próprio pela Corregedoria Geral, com produção técnica de conhecimento, oitivas, análises e diligências, garantindo rigor, precisão e legalidade. A corporação afirmou ainda que reafirma seu compromisso com a transparência, legalidade, integridade e a correta elucidação dos fatos. A defesa de Dziuba não foi localizada para comentar o caso.
As apurações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP apontam que Cariani, Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira foram responsáveis pelo desvio de 12 toneladas de insumos químicos para produzir 15 toneladas de drogas, como crack e cocaína. O esquema envolvia emissão fraudulenta de notas fiscais por empresas licenciadas para vender produtos químicos em São Paulo, com uso de laranjas e vítimas que figuravam como compradoras. Segundo o MPSP, o esquema resultou em quase R$ 2,5 milhões depositados em espécie, com 59 transações financeiras fraudulentas identificadas entre 2014 e 2020. A defesa de Renato Cariani afirmou que o pedido de condenação não representa surpresa e que confia em um julgamento justo que conduza à absolvição do influenciador.