A relação política entre Marília Arraes e o PSB começa a apresentar sinais de desgaste poucos dias após o resultado das eleições. Presidente estadual do PDT em Pernambuco e senadora eleita, Marília já estaria demonstrando insatisfação com a aproximação entre as duas legendas e não esconde, nos bastidores, sua resistência à possibilidade de uma federação partidária envolvendo o PDT e os socialistas.
De acordo com informações repassadas por pessoas próximas à senadora eleita, Marília teria deixado claro que não pretende permanecer no PDT caso a direção nacional confirme uma federação com o PSB. A possibilidade de uma ruptura estaria sendo considerada seriamente, especialmente diante das divergências políticas e do desconforto que, segundo relatos, já vinham se acumulando durante o processo eleitoral.
A dirigente estadual do PDT ainda aguardaria uma definição da direção nacional sobre o futuro da legenda. Entre as alternativas que gostaria de ver discutidas estariam uma possível federação com o PSDB ou uma composição com partidos menores, como Avante, Solidariedade e PRD. O que ela não aceitaria, segundo interlocutores, seria uma aliança formal com o PSB, partido com o qual sua relação política não estaria atravessando um bom momento.
O cenário chama atenção porque o distanciamento não teria começado depois das eleições. Durante a campanha estadual e também no segundo turno da disputa presidencial, Marília já vinha demonstrando desconforto na convivência política com os socialistas. As divergências, que antes poderiam ser administradas em nome dos interesses eleitorais, agora estariam aparecendo com mais força, colocando em dúvida a continuidade da aproximação.
Um dos episódios que teria contribuído para aumentar o mal-estar ocorreu no dia do segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, o prefeito do Recife, João Campos, promoveu um café da manhã reunindo lideranças políticas que participaram da mobilização em torno da disputa presidencial. Marília Arraes, entretanto, não teria sido convidada para o encontro, situação que teria sido recebida como mais um sinal de distanciamento dentro do grupo político.
Do outro lado, lideranças do PSB também não teriam ficado satisfeitas com a exposição de Marília ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o segundo turno. Naquele período, João Campos adotava uma estratégia de evitar agendas em Pernambuco que pudessem comprometer a transferência de votos dos eleitores de Raquel Lyra para Lula, movimento político que ficou conhecido como “Luquel”.
A presença de Marília em agendas e fotografias ao lado do presidente teria provocado incômodo entre integrantes do PSB, que não teriam visto com bons olhos a visibilidade política conquistada pela senadora eleita naquele momento.
Agora, com o processo eleitoral encerrado e Marília eleita senadora, as diferenças parecem ganhar outra dimensão. Nos bastidores, começa a surgir a interpretação de que a aproximação com o PSB teria sido muito mais uma estratégia de conveniência eleitoral do que a construção de um projeto político duradouro. Afinal, durante a campanha, os interesses comuns aproximavam os grupos; passada a eleição, as divergências voltaram ao centro da discussão.
A possível federação entre PDT e PSB poderá ser o ponto decisivo dessa relação. Caso a direção nacional do PDT avance nessa direção, Marília terá de decidir entre aceitar uma composição que contraria sua posição política ou enfrentar uma nova reorganização partidária.
O episódio também coloca em evidência uma questão importante para o futuro político de Pernambuco: até que ponto existe disposição para uma convivência política entre Marília Arraes e o grupo liderado por João Campos?
Por enquanto, não há anúncio oficial de rompimento. Mas os sinais de insatisfação, segundo relatos de bastidores, já são suficientes para alimentar especulações sobre uma possível mudança de rumo. E, pelo que se comenta nos corredores da política pernambucana, essa relação pode estar mais perto de uma ruptura do que de uma reconciliação.
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