Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado nesta quinta-feira (1º) aponta que ainda é possível limitar o aquecimento global entre 1,7°C e 1,8°C até 2100 e retornar ao patamar de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Para isso, as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) precisam cair 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, sempre em relação aos níveis de 2025. O documento, intitulado “Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026: O Ponto de Retorno”, indica que o esforço global necessário equivale a uma redução média de 5,7% ao ano entre 2025 e 2035.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que ultrapassar a meta não significa desistir. “Ainda podemos mantê-la o mais pequena e curta possível e trazer as temperaturas de volta para menos de 1,5 graus até o final do século”, declarou. O estudo anterior, “Limitar a Ultrapassagem, Lidar com a Ultrapassagem de 1,5 °C e Caminhos para o Retorno”, já havia mostrado que quanto maior a temperatura e mais longa a duração do pico, maiores são os impactos, como aumento do nível do mar, colapso de ecossistemas como os recifes de coral, ondas de calor, incêndios florestais e alterações profundas na criosfera.
Com a trajetória atual, o aquecimento global poderá atingir 2,8°C neste século. Mesmo se as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) forem plenamente cumpridas e a restauração de biomas neutralizar as emissões até 2050, o aquecimento chegaria a 2,1°C. Um exemplo das consequências seria o derretimento de ¼ das geleiras do planeta, com elevação do nível do mar em até 12,5 centímetros, afetando permanentemente a disponibilidade de água potável em várias localidades.
O relatório analisou mais de 220 avaliações de políticas adotadas pelo mundo e trouxe resultados positivos, embora concentrados em poucos países, setores e períodos. Políticas no setor elétrico reduziram as emissões em média 9%, enquanto instrumentos econômicos, como impostos sobre carbono e comércio de captação, diminuíram as emissões entre 5% e 13%. Para a diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, os casos de sucesso são muitos e variados e mostram que as emissões podem ser reduzidas rapidamente. “Agora cabe às nações implementar urgentemente políticas que promovam reduções de emissões rápidas, profundas e sustentáveis, e que coloquem o mundo no caminho certo para um clima mais estável e para economias e sociedades mais estáveis”, afirmou.