O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real ao lado de Pérsio Arida no texto de 1984 que deu origem ao apelido Larida, voltou ao debate econômico com uma proposta que cria um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN). O órgão definiria metas fiscais e monetárias para um horizonte de quatro a cinco anos, com anúncio conjunto das metas de inflação e da taxa básica de juros.
Pela proposta, o Banco Central se comprometeria a manter a taxa básica em um intervalo entre a meta de inflação, de 3,0%, e a taxa de crescimento nominal potencial, hoje estimada em cerca de 5,5% ao ano, resultado da soma de 3% de inflação e 2,5% de crescimento. O novo regime começaria com o BC anunciando redução gradual do juro ao longo de aproximadamente 12 meses, até a taxa de crescimento nominal potencial mais um spread transitório de segurança de 2%, o que daria perto de 7,5% ao ano.
Lara Resende afirma que as reservas internacionais de mais de US$ 350 bilhões dão ao BC munição suficiente para suavizar uma depreciação mais acentuada decorrente de eventual redução do volume de carry-trade de capitais especulativos. No artigo, ele acusa o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que seria a principal causa do desequilíbrio fiscal que a autoridade diz combater. Também critica analistas do mercado financeiro por confundirem o interesse dos rentistas com racionalidade econômica e a grande imprensa por repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando estaria nos juros.
A proposta reacendeu o debate público sobre as contas nacionais. A ex-chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann classificou o texto como fundamental, enquanto o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli afirmou que a situação fiscal brasileira é menos dramática do que sustentam os defensores de um ajuste voltado à estabilização da dívida pública, embora reconheça a necessidade de reduzir os déficits. O economista argumenta que uma taxa básica mais que o dobro da taxa de crescimento nominal da economia e um serviço da dívida equivalente a mais de 10% do PIB ao ano tornam a trajetória insustentável.
Em outro frente, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manifestou preocupação com a alíquota de referência de 11,3% calculada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 2027. Para a entidade, o percentual superior ao previsto anteriormente reforça o risco de aumento da carga tributária, especialmente para prestadores de serviços sujeitos hoje à alíquota conjunta de 3,65% de PIS/Cofins no regime cumulativo. A CNC defende que a simplificação do sistema seja acompanhada de medidas efetivas para evitar esse aumento.