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Estudo aponta que racismo e desigualdades afetam aprendizagem na Primeira Infância

Pesquisa baseada em dados da OCDE mostra diferenças de até 84 pontos entre crianças de grupos raciais e níveis socioeconômicos distintos....

Um Estudo Internacional sobre a Primeira Infância identificou diferenças significativas no desempenho de crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola, associadas a raça, cor e nível socioeconômico. A análise utilizou os resultados do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-Estar na Primeira Infância (IELS), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que avaliou aprendizagens fundamentais, funções executivas e habilidades socioemocionais.

Na dimensão de numeracia emergente, que mede habilidades como contar, comparar quantidades e reconhecer padrões, crianças pretas obtiveram 423 pontos, contra 463 de crianças brancas, uma diferença de 40 pontos. Crianças pardas registraram média de 447 pontos. Em memória de trabalho, a capacidade de armazenar e manipular informações, os resultados foram 462 pontos para crianças pretas, 463 para pardas e 471 para brancas.

As diferenças se acentuam quando considerados fatores socioeconômicos. Na numeracia, a distância chega a 84 pontos entre crianças pretas, pardas ou indígenas de famílias de nível socioeconômico baixo (416 pontos) e crianças brancas ou amarelas de famílias de nível alto (500 pontos). Em literacia e em memória de trabalho, a diferença entre esses dois grupos foi de 55 pontos em cada competência. Na literacia, as pontuações foram 477 e 532, respectivamente; na memória de trabalho, 441 e 496.

A diretora de Políticas Públicas da fundação Vidigal, Marina Fragata Chicaro, afirmou que o racismo estrutural e as desigualdades históricas afetam o acesso a serviços de qualidade desde cedo. Segundo ela, características como raça, cor ou nível socioeconômico não determinam a capacidade de aprender, mas as condições de vida e as oportunidades influenciam o desenvolvimento. Marina Chicaro defendeu que, se não enfrentadas na Primeira Infância, as desigualdades podem se acumular ao longo da vida e ampliar diferenças educacionais.

O estudo cita marcos legais em vigor que contribuem para reduzir essas diferenças, como a Política Nacional Integrada da Primeira Infância, a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola e o Novo Plano Nacional de Educação. Entre os caminhos apontados para as Políticas Públicas estão o monitoramento por raça/cor, a combinação de políticas universais e focalizadas, a qualificação da oferta para crianças em maior vulnerabilidade, a ampliação de oportunidades em numeracia e o fortalecimento da intersetorialidade entre educação, saúde e assistência social.

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