A redação do Enem de 2026 será corrigida com base em um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, elaborado a partir de textos de apoio. O candidato deve defender um ponto de vista sobre o tema proposto, fundamentando a argumentação para convencer o leitor.
Os avaliadores atribuem notas de 0 a 200 a cinco competências: domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa; compreensão da proposta e aplicação de conceitos de várias áreas; seleção e organização de informações e argumentos; conhecimento dos mecanismos linguísticos de argumentação; e elaboração de proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. A soma pode chegar a 1.000 pontos.
O professor de redação Renato Júdice explicou, em entrevista à Rádio Nacional, que a prova não cobra temas genéricos, mas um recorte específico delimitado pelos textos motivadores. Como exemplo, ele citou que o tema não será simplesmente "inteligência artificial", mas algum aspecto particular, como o uso da IA na educação. Júdice sugeriu organizar o texto em quatro parágrafos: introdução com tema e tese, dois parágrafos de desenvolvimento e conclusão com proposta de intervenção. Essa proposta deve indicar o que fazer, por quem e com quais recursos, sem soluções genéricas como "a sociedade precisa mudar".
Segundo o edital, a redação pode ser zerada ou anulada em casos como texto com menos de 8 linhas, inclusão de trecho desconectado do tema, desobediência à estrutura dissertativo-argumentativa ou desrespeito à seriedade do exame. O rascunho deve ser passado a limpo na Folha de Redação, que é a única corrigida.
Os temas das últimas dez edições foram: em 2025, perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira; em 2024, desafios para a valorização da herança africana no Brasil; em 2023, desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher; em 2022, desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais; em 2021, invisibilidade e registro civil; em 2020, o estigma associado às doenças mentais; em 2019, democratização do acesso ao cinema; em 2018, manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet; em 2017, desafios para a formação educacional de surdos; e, em 2016, caminhos para combater a intolerância religiosa. No domingo, a partir das 19h30, a live Resenha do Enem será transmitida pelo YouTube da Agência Brasil e da TV Brasil, além de emissoras da Rádio Nacional.