Um adolescente foi apreendido Em São Luís, no Maranhão, na quarta-feira (2/9), sob a acusação de torturar e matar mais de 200 filhotes de gatos durante transmissões ao vivo na internet. Esta apreensão é fruto de um monitoramento que durou cerca de seis meses, realizado pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil de São Paulo, em colaboração com a Polícia Federal (PF).
De acordo com a delegada Lisandrea Salvariego, que coordena o Noad, o jovem chegava a maltratar entre cinco e seis animais por noite, e a tortura que infligia aos gatos era intensa antes de suas mortes. Durante a apuração, Lisandrea também foi alvo de ameaças do menor, que está sendo investigado por induzir vítimas à automutilação. A delegada relatou que o suspeito fazia com que as vítimas se cortassem e dedicava essas ações a ela nas redes sociais, utilizando o sangue dos animais que matava para escrever seu nome.
O adolescente já havia sido abordado anteriormente pela polícia, sendo conduzido a uma delegacia após ser flagrado com uma sacola contendo vários filhotes de gato. Em São Luís, a operação policial cumpriu mandados de busca e apreensão, assim como de internação, que foram expedidos pela Justiça. Um celular do menor foi apreendido e ele será transferido para São Paulo, onde cumprirá a medida de internação.
Em uma ação relacionada, no dia 5 de agosto, um homem de 21 anos foi preso no Rio de Janeiro por compartilhar imagens de maus-tratos a gatos. Essa prisão foi resultado de uma investigação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Guarulhos, em São Paulo, em parceria com o Noad. Durante a execução do mandado de busca, também foram encontradas imagens de pornografia infantil no celular do acusado.
Além disso, em março deste ano, o Noad identificou outro suspeito que havia maltratado e matado mais de cem animais durante transmissões ao vivo em uma plataforma digital. A prisão desse indivíduo ocorreu em Fortaleza, no Ceará, com o apoio da Polícia Civil local.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) destacou o aumento das ocorrências de zoosadismo em ambientes digitais, caracterizado pela tortura e maus-tratos a animais para prazer pessoal. Dados do Noad indicam que houve um crescimento de 200% nos casos de zoosadismo entre 2025 e 2026. Desde a criação do núcleo, em novembro de 2024, cerca de 1,2 mil animais, como cães, gatos e porquinhos-da-índia, foram resgatados, sendo a maioria filhotes. Ademais, o trabalho do Noad já resultou na proteção de 411 vítimas de estupros, automutilação e instigação ao suicídio em plataformas digitais, conforme ressaltou a SSP.