A Câmara dos Deputados deve debater, nesta semana, propostas sobre a adultização infantil, um fenômeno que expõe crianças a comportamentos e responsabilidades típicas de adultos. A psicopedagoga Michely Almeida alertou sobre os impactos dessa prática no desenvolvimento infantil.
Um dos principais pontos destacados é que os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento moral e da personalidade, e a exposição precoce a situações adultas pode prejudicar esse processo. A especialista enfatiza a importância de leis de proteção à infância, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Almeida ressalta que o conceito de infância é uma construção relativamente recente, lembrando que, historicamente, as crianças eram vistas como adultos em miniatura. Ela frisa que leis de proteção à infância e juventude representam um marco nessa mudança histórica e devem ser preservadas, atualizadas e ampliadas.
Segundo a especialista, o excesso de exposição precoce a comportamentos adultos, mesmo em crianças com altas habilidades, é motivo de preocupação, pois elas necessitam de acompanhamento psicológico, não de responsabilidades do mundo adulto. Ela também alerta que o mercado digital e as redes sociais podem gerar cobranças e responsabilidades comparáveis ao trabalho infantil.
A especialista destacou ainda que a imposição de responsabilidades às crianças interfere no tempo livre e no brincar, elementos essenciais para a formação. A negligência dessa fase pode gerar efeitos negativos ao longo da vida, pois a criança precisa do ócio para desenvolver saúde mental.