A trombose é uma condição que pode se desenvolver sem apresentar sintomas evidentes, o que a torna ainda mais perigosa, podendo levar a complicações sérias, como a embolia pulmonar. Em 13 de outubro, o Dia Mundial da Trombose destaca a necessidade de prevenção e diagnóstico precoce para essa doença, que afeta muitas pessoas sem que elas percebam.
Dados do Ministério da Saúde revelam que o Brasil registrou mais de 75 mil casos de trombose em 2024. No primeiro semestre de 2025, foram contabilizados mais de 36 mil registros. A cirurgiã vascular e angiologista Beth Moreno explica que a trombose ocorre quando um coágulo se forma dentro de um vaso sanguíneo, dificultando ou bloqueando a circulação. Beth ressalta que a condição se desenvolve devido a um desequilíbrio entre os fatores que promovem e inibem a coagulação sanguínea, podendo ser desencadeada por lesões nas veias, alterações do fluxo sanguíneo ou hipercoagulabilidade.
Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento da trombose, incluindo idade avançada, histórico familiar, imobilização prolongada, cirurgias recentes, obesidade, tabagismo, uso de anticoncepcionais, gravidez, câncer e alterações genéticas relacionadas à coagulação. O sedentarismo também é uma preocupação, especialmente quando associado a longos períodos sem movimentação. A pandemia de Covid-19 trouxe novos desafios, pois a infecção pode aumentar o risco de formação de coágulos, mesmo em pacientes que já receberam alta hospitalar.
Durante a pandemia, muitos pacientes desenvolveram trombose venosa profunda, e alguns apresentaram complicações fatais, como embolia pulmonar, antes de serem liberados do hospital. Além da Covid-19, outras doenças, como neoplasias, também podem induzir a trombose venosa profunda, conforme observado pela especialista.
Os sintomas da trombose venosa profunda costumam afetar as veias das pernas, e a identificação precoce é fundamental para evitar complicações mais graves. A angiologista destaca a importância de um diagnóstico ágil, que pode reduzir os riscos associados à doença.
Viagens longas podem ser um fator de risco significativo, pois permanecer sentado por muitas horas pode favorecer a estagnação do sangue nas veias. Para viagens superiores a cinco horas, recomenda-se movimentar os pés e as pernas, manter a hidratação, evitar bebidas alcoólicas e, sempre que possível, escolher assentos que permitam melhor mobilidade. As meias elásticas de compressão podem ser recomendadas em casos específicos, mas devem ser indicadas por um cirurgião vascular, levando em consideração o histórico e a saúde do paciente.