O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), informou que o governo se prepara para discutir a elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% (E30) para 32% (E32) na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O encontro, que é aguardado há um mês e já sofreu dois adiamentos, será agendado nos próximos 15 dias.
A declaração de Silveira ocorreu após uma reunião com representantes do setor de etanol, que tem pressionado por essa mudança na composição da gasolina. Com o aumento da porcentagem de etanol, espera-se que o setor amplie sua participação no mercado nacional de combustíveis, beneficiando a indústria.
"Os estudos técnicos necessários nos permitem ir até o E32, por uma indicação trazida hoje pelo setor e que vai ser submetida pela determinação do presidente da República ao próximo Conselho Nacional de Política Energética", afirmou Silveira a jornalistas no Palácio do Planalto. O ministro expressou a expectativa de que o tema seja debatido e deliberado durante a reunião.
O avanço da mistura de etanol estava inicialmente previsto para ser discutido em reuniões anteriores, mas foi adiado, primeiro de 7 para 11 de maio, e depois cancelado. Na ocasião, Silveira estava em viagem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano).
Nos últimos meses, diversas entidades do setor, incluindo congressistas, associações e empresas, intensificaram a pressão para que a mistura de etanol na gasolina e a adição de biodiesel ao diesel fossem implementadas de forma imediata. O argumento principal é que essa mudança é essencial para reduzir a dependência do Brasil em relação às importações de combustíveis, especialmente em tempos de crise internacional, como a guerra do Irã.
Estimativas do governo indicam que a implementação da mistura de etanol em 32% poderá reduzir em 450 milhões de litros a quantidade de gasolina importada anualmente no Brasil. Silveira enfatizou que a medida é crucial para garantir a segurança energética do país e promover a autossuficiência no abastecimento de combustíveis, minimizando os impactos de conflitos internacionais que afetam o mercado global.