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Campanha eleitoral ganha as ruas com manifestações e disputa nas redes

Atos pró-Lula reuniram multidões em todo o país e surpreenderam pela adesão de jovens; campanha de Flávio Bolsonaro também mobilizou apoiadores, mas em menor...

A campanha eleitoral que se previa apática antes do primeiro turno ganhou as ruas nas últimas três semanas, impulsionada principalmente por jovens que se assustaram com o placar favorável a Flávio Bolsonaro no round inicial. Manifestações gigantes nos grandes centros urbanos e em mais de uma centena de cidades mostraram um contingente que há tempos não participava ativamente de uma disputa eleitoral. A força das ruas redefiniu a estratégia petista para a reta final e exigiu correção de rumos na campanha de Flávio, que pouco havia se dedicado ao contato direto com o eleitor.

Na campanha de Lula, eventos espontâneos de todos os portes se somaram à programação oficial e reuniram milhões de pessoas, com ou sem a presença do candidato. As multidões cresceram em número e em alegria, algo que o país só havia visto no movimento das Diretas Já. Jovens atraíram tribos que normalmente se recusavam a participar de eventos políticos, incluindo fã-clubes de artistas pop citados nominalmente por Lula no ato da Avenida Paulista, no dia 11. Segundo o Poder Data, o público nesse ato foi de 261 mil pessoas, quase quatro vezes maior que os 71 mil do domingo seguinte, quando Flávio convocou movimento semelhante. No total, a campanha de Lula contabilizou 81 atos só na última semana, enquanto a de Flávio confirmou 16.

Nas redes sociais, o público jovem deu gás à campanha digital do petista, que, sob a batuta do deputado eleito André Janones (Rede-MG), arregimentou o Exército do Lula, reunindo mais de 10 milhões de "soldados". Do outro lado, o reforço nas redes coube ao também mineiro Nikolas Ferreira (PL), mas a sua Tropa do Flávio suou para ultrapassar 2 milhões de apoiadores.

As ruas também surpreenderam quanto à temática. Nos atos pró-Lula, ainda que os xingamentos ao adversário fossem recorrentes, as palavras de ordem e os cartazes incluíam feitos do presidente, como Bolsa Família, Remédio Popular, fim da escala 6×1, e elogios explícitos à adesão de gente de direita e centro-direita, além de reforço ao comparecimento às urnas de eleitores de mais de 70 anos. Em alguns momentos, a impressão era de que a campanha havia superado a rinha da rejeição para se tornar propositiva. O inverso ocorreu entre os adeptos de Flávio, cuja aposta única continuou sendo o antilulismo. Em artigo na revista Piauí, o cientista social Jonas Medeiros, especialista em manifestações da direita, acompanhou o ato do pefelista no dia 18, apelidado de Bloquinho do 22. Ali, nada se centrou no que o candidato poderia fazer, só em críticas à esquerda, com a prevalência da "narrativa do nojo". A turba, relata Medeiros, se autointitulava "limpinhos" por usar desodorante, não fazer arruaça e não fumar maconha.

O Brasil chega ao dia de eleger seu presidente da República mais uma vez dividido ao meio e com escolhas pautadas pela rejeição. Isso confere importância ainda maior à retomada das ruas. A equação redes e ruas pode não ter o condão de processar uma dificílima virada de Lula, mas a adesão desse contingente que se mantinha alheio à política traz ganhos fenomenais ao país, permitindo redescobrir o valor do exercício da cidadania.

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