Belo Horizonte – No último sábado (5/9), Ana Elisa Santos Silva, candidata do PT a deputada federal por Minas Gerais, foi alvo de mensagens racistas com ameaças de morte e estupro. As mensagens foram enviadas por e-mail e o autor se identifica como membro de um grupo supremacista branco, citando informações pessoais da candidata e ameaçando também seus familiares. O caso foi levado às autoridades e registrado como notícia de crime.
O Boletim de Ocorrência, protocolado na 142ª Companhia da Polícia Militar, classifica o ocorrido como ameaça, conforme o artigo 147 do Código Penal, além de injúria racial. Ana Elisa apresentou prints das mensagens na base comunitária móvel e informou que já havia recebido e-mails semelhantes anteriormente.
O registro policial destaca que a natureza secundária da ocorrência é a injúria racial e descreve o meio utilizado como eletrônico, abrangendo tanto a internet quanto mensagens de texto (SMS). O conteúdo das mensagens, que inclui linguagem de ódio e ameaças explícitas, faz referência a grupos extremistas, mas a campanha optou por não divulgar a íntegra das ameaças, visando a segurança da candidata.
Em um parecer técnico jurídico assinado pela equipe da campanha, coordenada pela advogada Maria Júlia A. Alvim (OAB/MG 240.536), é enfatizado que as ameaças não se configuram como parte de um debate político, mas sim como crimes. O documento aponta indícios de racismo, violência política de gênero e ameaça, elementos que configuram a agressão à participação política de mulheres, especialmente em contextos que envolvem violência racial.
As medidas policiais e judiciais necessárias foram tomadas, incluindo esforços para identificar o autor das ameaças. Informações adicionais foram preservadas para não comprometer a investigação em andamento.
O parecer também ressalta que a internet não é um espaço de impunidade e que existem registros técnicos que podem ajudar na identificação de indivíduos que se ocultam atrás do anonimato para intimidar e ameaçar.