A eleição para a presidência do Senado vai expor quantos senadores eleitos com a promessa de cobrar limites ao Supremo Tribunal Federal (STF) manterão o discurso na prática. Davi Alcolumbre (União Brasil) já tem o apoio do presidente Lula (PT) e do Centrão para continuar no cargo. Ele foi quem mais protegeu os ministros da Corte dentro do Senado nos últimos meses.
O impasse envolve o caso Banco Master. Em setembro, veio a público um vídeo em que o ministro Alexandre de Moraes e a mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, embarcam, em 22 de agosto de 2025, num jatinho operado por uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. O escritório de Viviane confirmou a contratação do táxi aéreo e afirmou que Vorcaro não estava a bordo. Antes, o gabinete do ministro havia tratado como ilação as informações sobre o uso de aeronaves ligadas ao banqueiro.
Também em setembro, a Polícia Federal (PF) divulgou relatório que atribuiu a Moraes mensagens nas quais Vorcaro, às vésperas da prisão, perguntava se já deveria estar fora do País. No dia da prisão, o banqueiro quis saber se o interlocutor conseguira bloquear a medida. Moraes contestou o método da PF na defesa entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, alegando que os investigadores associaram anotações do celular a conversas por aproximação de horário. A PF identificou ainda, em uma minuta do contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane, edições atribuídas a Alexandre de Moraes. O escritório disse que consultou o ministro, marido da sócia, sobre eventuais impedimentos.
O questionamento central é se parte da direita aceitaria a recondução de Alcolumbre em troca de um compromisso de abrir caminho para libertar os presos do 8 de janeiro e até o próprio Jair Bolsonaro (PL). Senadores que fizeram campanha cobrando investigação de ministros precisam explicar por que a defesa de Bolsonaro justificaria aliviar a cobrança sobre Moraes. Quem defende a anistia tem tribuna, voto e eleitor a quem prestar contas.
O eleitor que ouviu durante a campanha que ninguém pode estar acima da lei tem direito de perguntar quando a promessa ganhou uma ressalva tão conveniente. O abafa terá dado certo se chegarmos a fevereiro sabendo quantos votos Alcolumbre espera receber e ignorando o que os senadores combinaram para votar nele.