O chefe do Estado-Maior do Exército britânico, general Roly Walker, afirmou que a população do Reino Unido precisará encarar um debate sobre os sacrifícios exigidos pela prioridade à defesa. Segundo ele, o período em que o país podia evitar pensar na possibilidade de uma guerra terminou.
As declarações foram publicadas na quinta-feira, 15, pelo Forces News, portal público voltado às Forças Armadas. Walker falou em Catterick Garrison diante de cerca de 700 militares da 1ª Divisão do Reino Unido. Ele disse que o mundo vive um nível de perigo extremo e que espera que os líderes políticos expliquem ao público onde estão os riscos e o que a nação precisará estar disposta a fazer.
O general afirmou que os cidadãos, que nem sempre têm as Forças Armadas entre suas preocupações cotidianas, precisam entender o papel dos militares e consentir com os sacrifícios que isso implica. Em última instância, será necessário que a sociedade apoie os soldados naquilo que só eles fazem: levar o combate ao inimigo. Ele lembrou ainda que, nas forças terrestres, o peso do combate recai sobre os soldados mais jovens e menos experientes.
O discurso ocorre em meio a temores de que o conflito na Ucrânia atinja outros países da Europa, com autoridades do continente afirmando que a Rússia estaria planejando ataques, o que Moscou nega. Uma nova pesquisa do Instituto Ipsos indica que metade dos britânicos não pegaria em armas pelo país em nenhuma circunstância, mas mais da metade apoia o aumento dos gastos militares. Entre os que defendem mais recursos para a defesa, 37% acham que o dinheiro deve vir do remanejamento de outras áreas do orçamento, enquanto 36% preferem a elevação de impostos em geral.
O financiamento das Forças Armadas se tornou um dos principais dilemas do governo. Em setembro, durante a conferência do Partido Trabalhista em Liverpool, o ministro da Defesa, Wes Streeting, reconheceu que investir mais em defesa exige escolhas e concessões. O antecessor de Streeting na pasta, John Healey, hoje ministro das Finanças, deve detalhar os planos de gastos no orçamento previsto para 28 de outubro. Líderes militares de primeiro escalão, entre eles o chefe do Estado-Maior da Defesa, marechal do ar Sir Rich Knighton, têm sido cada vez mais enfáticos ao tratar do papel da sociedade na resistência a ameaças externas.