Ciro Rocha Soares, advogado com forte atuação em Brasília, é reconhecido por sua habilidade em estabelecer conexões entre o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e figuras proeminentes do Judiciário, incluindo o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Conhecido por sua capacidade de intermediar encontros, Ciro é descrito por amigos como alguém que pode "vender até vento" e consegue agendar audiências com praticamente qualquer autoridade, mesmo durante suas frequentes viagens entre Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.
Recentemente, o nome de Ciro ganhou destaque em meio à crise que envolve o Supremo Tribunal Federal, após revelações de conversas de Vorcaro que indicam tentativas de facilitar encontros entre o banqueiro, atualmente preso, e diversas autoridades. Ciro foi um dos primeiros advogados a defender Vorcaro quando começaram as complicações do Banco Master, mas optou por deixar o caso quando Vorcaro decidiu buscar uma delação premiada, uma abordagem que não se alinha ao seu estilo de advocacia.
Apesar de sua saída do caso, Ciro reafirma sua amizade com Vorcaro, assegurando a amigos que não abandonaria o banqueiro em um momento tão crítico. A relação entre os dois teve início há cerca de seis anos, em um camarote Do Mineirão, durante um jogo entre Atlético-MG e Athletico-PR, onde Vorcaro era um dos patrocinadores. O empresário Saulo Wanderley, do setor de construção civil, apresentou os dois, e a amizade rapidamente se transformou em uma parceria profissional.
A conexão com Vorcaro é apenas uma das várias que Ciro cultivou ao longo de sua carreira. Antes de se aproximar do banqueiro, ele já tinha um histórico de relações com tribunais, políticos e empresários. Natural de Minas Gerais e com laços na Bahia, Ciro começou sua trajetória no Tribunal de Justiça da Bahia, onde foi apoiado pelo desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra, ex-presidente da Corte.
Entre os empresários que fazem parte do círculo de Ciro está Marcelo Pessoa, sócio-sênior da Galapagos Capital. Em mensagens anexadas a relatórios da Polícia Federal, o nome de Pessoa aparece em comunicações entre Vorcaro e Ciro, revelando tentativas de incluir Pessoa em uma viagem a Londres, que acabou não se concretizando por decisão de Vorcaro. Marcelo Pessoa é também o proprietário da Ilha Parapituba, uma localização que integra o circuito social de Ciro, frequentada por ele, e que foi vendida em 2023. Na transação, Pessoa manteve a posse de duas cotas, vendendo outras duas, uma delas para o médico Gabriel Almeida, que também é alvo de investigações da Polícia Federal relacionadas à comercialização de substâncias ilegais.
As investigações em torno de Vorcaro e suas conexões continuam a se desenrolar, colocando Ciro Rocha Soares em um papel central na trama que envolve o mundo financeiro e político, evidenciando sua habilidade em transitar por diferentes esferas de poder e suas complexas relações pessoais e profissionais.