A Praça do Sebo, situada na Rua da Roda, entre as avenidas Guararapes e Dantas Barreto, completou 45 anos de existência no dia 26 de agosto. Para celebrar a data, um evento gratuito foi programado para o sábado, 29, das 9h às 13h, com uma variedade de atividades que incluem rodas de conversa, lançamentos de livros, sarau, exibição de documentário e apresentações musicais.
Inaugurada em 1981 com o objetivo de organizar os comerciantes que atuavam nas calçadas do Centro do Recife, a Praça do Sebo atualmente abriga 19 boxes e busca se manter como um espaço de convivência, mesmo diante do esvaziamento econômico da região e da crescente popularidade dos formatos digitais de leitura.
Embora a utilização de leitores digitais e e-books tenha se expandido, a demanda por livros impressos continua forte na Praça, impulsionada pelo surgimento de um novo perfil de frequentadores. Augusto, livreiro que atua no local desde sua abertura, observa que o público tem se transformado significativamente: "O perfil mudou muito. Agora a juventude está chegando atrás de mangás, histórias em quadrinhos. Antigamente, meu foco eram doutores, juízes, advogados ou livros de história antiga. O foco mudou e a juventude está gostando mais de ler."
Cátia Sales, comerciante que trabalha na praça há 28 anos, também comenta sobre essa mudança de perfil. "Há 28 anos, quando comecei, o público era mais velho e procurava literatura clássica e filosofia. Hoje é um público mais jovem. Costumo dizer que, de Harry Potter para cá, o público mudou."
Os frequentadores da Praça do Sebo valorizam o acervo físico, que traz consigo a memória e a história de cada exemplar. A leitora Linda Hermínio enfatiza a singularidade dos livros usados: "Um livro usado tem uma história. Cada página que eu abro sei que alguém já passou por ali, já leu, já riu, já chorou. Vejo as datas que as pessoas colocam nas entrecapas e fico emocionada a cada livro que compro."
A permanência da Praça do Sebo é notável, mesmo em um contexto onde muitos estabelecimentos comerciais tradicionais encerram suas atividades e a circulação de pedestres no Centro do Recife diminui. Comerciantes e clientes destacam a falta de segurança e a necessidade de investimentos públicos para revitalizar a área. Cátia Sales ressalta que a situação impacta o público: "Afeta o público a questão das lojas estarem fechando e a falta de apoio no policiamento. Se não há lojas ativas, as pessoas não vêm andar no Centro. Mesmo assim, a gente continua resistindo. Queremos movimentar a praça para mostrar seu valor cultural."