Viajar sozinha tem se tornado uma escolha frequente entre as brasileiras. Dados do Ministério do Turismo apontam que quatro em cada dez mulheres do país já fizeram uma viagem sem companhia. O levantamento, realizado entre agosto e setembro de 2025 com 2.712 mulheres de todas as regiões, indica que a busca por momentos de lazer (72,6%), o desejo por independência e liberdade (65,1%) e o anseio por autoconhecimento (41,4%) estão entre os principais fatores que levam essas viajantes a desbravar destinos sozinhas. Compromissos profissionais também aparecem como motivação para 37,6% delas.
A psicóloga Aline Rocha, de 25 anos, fez sua primeira viagem solo em 2022, para a Austrália, motivada pelo sonho de conhecer o país. "Me senti dona de mim e senti aquele peso de ter de depender somente de si para se cuidar em vários aspectos, desde segurança a questões financeiras em um ambiente totalmente novo", relata. Dois anos depois, em uma viagem em família ao Rio Grande do Norte, ela conheceu a cultura de hostel e fez amizade com outros viajantes solo. Meses depois, retornou sozinha ao mesmo hostel em Pipa. Aline também já viajou para Portugal e Espanha, Inglaterra e Irlanda, e depois focou no litoral brasileiro para aprender a surfar.
A jovem Tamires, de 26 anos, fez sua primeira viagem sozinha em janeiro deste ano, para Vitória (ES). A experiência, segundo ela, marcou o renascimento de uma nova Tamires após a perda da mãe no fim de 2024. Em 2025, ela criou a tradição de viajar na data do aniversário e, este ano, comemorou sozinha pela primeira vez enquanto enfrentava o fim de um relacionamento de pouco mais de três anos. Sua melhor viagem solo foi ao Rio de Janeiro, onde ficou em hostel, fez amigos e visitou pontos como o Cristo Redentor. Em setembro de 2026, ela fez sua segunda viagem solo, para Arraial do Cabo (RJ), e também conheceu o Museu do Amanhã.
A segurança, no entanto, continua sendo um fator decisivo na escolha do destino. Seis em cada dez entrevistadas afirmam que já deixaram de fazer uma viagem por receio da violência, e mais de 60% relataram ter vivenciado alguma situação que provocou sensação de insegurança durante uma viagem desacompanhada. Preocupações com furtos, golpes e fraudes contra turistas também se destacam. Para Tamires, é importante pesquisar bastante sobre o destino, principalmente sobre segurança, e ela recomenda usar IA apenas para organizar o roteiro. "Se estiver com medo, vá assim mesmo. Antes, pesquise muito sobre os destinos, e escolha lugares que tenham atrativos dos quais goste, e não o destino que está na promoção ou no hype. Fique em hostel, é a melhor forma de fazer amizade, mesmo se você for tímida, assim como eu", aconselha.
A pesquisa também revelou que o interesse por atividades culturais, como visitas a museus e centros históricos, moveu 68% das mulheres que responderam ao estudo. Já a Berkshire Hathaway Travel Protection divulgou um ranking das cidades consideradas mais seguras para se conhecer, encabeçado por Amsterdã (Países Baixos), seguido de Reykjavik (Islândia), Barcelona (Espanha), Copenhague (Dinamarca), Seul (Coreia do Sul), São Francisco (Estados Unidos), Honolulu (Estados Unidos), Londres (Reino Unido), Bangkok (Tailândia) e Nova York (Estados Unidos). Para Aline, não há quantidade mínima de dias para viajar: "Já vivi uma vida em cinco dias, por exemplo. Quando se viaja, o ideal é se jogar no meio de outros viajantes; e vai por mim que o aprendizado será intenso e lindíssimo".