As empresas estatais federais apresentaram um deficit de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, conforme divulgado pelo Banco Central. Este valor representa o pior desempenho para o período desde o início da série histórica, que remonta a 2002, e é superior ao deficit anterior, que foi de R$ 3,9 bilhões no mesmo semestre de 2025.
Ao incluir as estatais estaduais e municipais, o deficit totalizou R$ 8,9 bilhões entre janeiro e junho deste ano. As estatais estaduais registraram um rombo de R$ 1,1 bilhão, enquanto as municipais conseguiram um superavit de R$ 350 milhões. O mês de junho de 2026 fechou com um deficit de R$ 0,04 bilhão; no mesmo mês do ano anterior, houve um superavit de R$ 3,9 bilhões.
Os números acumulados de 2026 mostram um deficit de R$ 7,8 bilhões, em contraste com R$ 3,9 bilhões no primeiro semestre de 2025, além de um deficit acumulado de 12 meses de R$ 10,4 bilhões, frente aos R$ 8,3 bilhões do ano anterior. Esses dados mostram um agravamento das contas públicas relacionadas às estatais federais.
Além disso, o deficit registrado no primeiro semestre de 2026 SUPERA o pior RESULTADO ANUAL já contabilizado, que foi de R$ 6,7 bilhões em 2024. Desde 2023, as estatais federais têm operado no vermelho, e o Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2027, enviado ao Congresso em abril, indica que o deficit deve persistir até pelo menos 2030.
As projeções oficiais do governo para os próximos anos indicam resultados negativos que vão de R$ 6,7 bilhões em 2026 a R$ 5,7 bilhões em 2030. O governo justifica o aumento do deficit pela ampliação dos investimentos realizados pelas estatais. A deterioração das contas é especialmente atribuída aos Correios, que apresentaram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025.
O levantamento feito pelo Banco Central exclui as estatais financeiras, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, bem como a Petrobras. A metodologia utilizada busca avaliar o impacto do deficit das estatais nas contas públicas e na política fiscal. O Tesouro Nacional, em caso de necessidade de financiamento pelas estatais, poderia ter que cobrir essa lacuna por meio de emissão de dívida ou com recursos arrecadados de impostos.