A entrevista de Lula ao Jornal Nacional, transmitida no horário nobre da TV Globo no dia 27, foi alvo de críticas severas. A condução da sabatina não alcançou um momento positivo, com as respostas do presidente levando a um cenário em que ele parecia mais preocupado em se defender do que em apresentar uma proposta convincente para um novo mandato.
Um dos pontos mais destacados foi o caso de Roberta Luchsinger. Lula teve a oportunidade de esclarecer sua relação com a lobista, mas optou por afirmar que não a conhecia. Essa negativa, no entanto, contrasta com fotografias que mostram os dois juntos em diversas ocasiões. Embora a imagem não comprove amizade ou irregularidade, a escolha de Lula por uma resposta categórica, sem nuances, pode ser interpretada como uma estratégia política falha.
Quando o tema dos vazamentos na Polícia Federal foi abordado, Lula não se esquivou da responsabilidade. Ele criticou a corporação, que está sob sua gestão, em vez de direcionar a culpa a administrações anteriores. Essa postura levanta questionamentos sobre a eficácia e o controle que o presidente exerce sobre a instituição durante seu governo.
Na questão econômica, Lula demonstrou insegurança ao discutir tópicos como resultado fiscal e dívida pública. Suas afirmações se mostraram inconsistentes em relação aos dados oficiais, o que pode ser prejudicial considerando a importância desses números em um contexto eleitoral. Em um cenário onde a oposição pode facilmente confrontar suas declarações com a realidade dos dados, a improvisação se revelou um risco elevado.
Outro momento controverso ocorreu quando Lula comentou sobre a infraestrutura do país, descrevendo-a de maneira crítica. No entanto, o presidente se contradisse ao afirmar que seu filho deveria ser investigado como qualquer cidadão, mas, ao mesmo tempo, antecipou a inocência dele, o que pareceu conflituoso. Essa dicotomia nas declarações pode gerar confusão sobre a postura do presidente em relação a investigações.
Ao final da sabatina, Lula deixou a impressão de que sua performance foi uma das piores em sua trajetória, especialmente em um ano eleitoral. Com mais questões levantadas do que respostas satisfatórias, o presidente saiu da entrevista em uma situação delicada, o que não contribui para sua imagem diante do eleitorado que ele tenta persuadir para um novo mandato.