A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato provocou forte reação negativa nos mercados financeiros nesta segunda-feira. O dólar comercial abriu em alta de 8,65%, cotado a R$ 5,42, enquanto a B3 acionou o mecanismo de Circuit Breaker logo no início do pregão, suspendendo por 30 minutos a negociação de ativos à vista, renda fixa privada, opções referenciadas em ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs. As negociações foram retomadas em leilão das 10h30 às 10h35.
Entre as maiores quedas, os papéis da própria B3 (B3SA3) recuavam 49,94%, e os da plataforma Vamos (VAMO3) caíam 59,4%. O Circuit Breaker é um procedimento operacional previsto para momentos de forte volatilidade, tendo como referência a variação do Ibovespa B3, principal índice do mercado acionário brasileiro.
O ministro da Fazenda, Dario Durigam, afirmou que a intervenção do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, com a compra de papéis, buscou devolver normalidade ao mercado. "Nós precisamos ter alguma racionalidade. Eu não estou falando de controle de preço; estou falando de alguma racionalidade. Então, desde de manhã estou falando com o Banco Central, falando com o Tesouro", declarou. Segundo ele, o BC avalia atuação no câmbio de forma coordenada para evitar intervenção nos juros que pese desproporcionalmente no câmbio.
O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-país, subia 26% e operava em 151,7 pontos, ante 120,2 pontos na sexta-feira, maior patamar desde junho de 2025. O movimento acompanha a reprecificação dos ativos brasileiros após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O Circuit Breaker foi criado em 1997 e já foi acionado 23 vezes. Entre os principais episódios estão a crise asiática de 1997, quando o Ibovespa caiu 10,19%; a desvalorização do real em 1999, com queda de 10,29%; a crise do subprime nos Estados Unidos em 2008, com seis interrupções em menos de um mês; e a Pandemia de Covid-19 em 2020, com seis acionamentos em março.