A decisão do voto não se limita à comparação de propostas. Antes de avaliar um programa, o eleitor observa se o candidato compreende sua realidade, se transmite confiança e se provoca aproximação ou afastamento. Nesse processo, empatia, simpatia e rejeição atuam como forças que podem abrir ou fechar o diálogo com o público.
A empatia consiste em perceber o mundo a partir da posição do cidadão, o que exige escuta e disposição para transformar dificuldades em prioridades com meios de execução. Já a simpatia pertence a outro plano: é a impressão favorável causada pelo modo de falar, pelo sorriso ou pela facilidade de convivência. Ser agradável, porém, não equivale a compreender o eleitor, e confundir as duas coisas é um erro.
O estudo de Randall Renstrom e Victor Ottati, pesquisadores norte-americanos de psicologia com trabalhos sobre ciência política, publicado no Journal of Social and Political Psychology, identificou em dois experimentos avaliações mais favoráveis e maior intenção de voto diante de mensagens empáticas. O resultado destaca o valor da linguagem, mas os autores ponderam que experimentos não reproduzem toda a complexidade eleitoral, pois partidos, trajetória, contexto econômico e credibilidade também pesam.
A rejeição surge quando parte do eleitorado afirma que não votaria em determinado nome. Suas raízes variam e incluem decepção administrativa, suspeitas de corrupção, divergência ideológica, comportamento agressivo ou associação com um grupo político. Trata-se de sentimento distinto do desconhecimento e da desaprovação. Um eleitor pode avaliar mal um governo e ainda assim preferir seu representante às alternativas, ou mudar de posição após ouvir um candidato. Não existe percentual isolado que decrete derrota, pois a disputa depende também do adversário.
Em disputas acirradas, o voto contra pode ganhar protagonismo, com o cidadão escolhendo um nome para impedir a vitória de outro, mesmo sem entusiasmo. Nesse cenário, a vitória eleitoral não equivale a aprovação irrestrita, e tratar o voto de contenção como cheque em branco pode converter uma maioria circunstancial em frustração duradoura. As três forças se cruzam: a simpatia facilita o primeiro contato, a empatia aprofunda a identificação e a rejeição pode impedir que a mensagem seja sequer considerada. GAUDÊNCIO TORQUATO é professor emérito da USP, escritor, jornalista e consultor político.