RENT3: R$ 43,60 ▼ 2,29%
IBOVESPA: 179.639,91pts ▼ 0,43%
VALE3: R$ 76,99 ▼ 2,49%
ITUB4: R$ 42,05 ▼ 1,55%
PETR4: R$ 47,05 ▲ 1,44%
B3SA3: R$ -- --
USD: R$ -- --
EUR: R$ -- --

Estudante com paralisia cerebral cria TCC sobre IA e se forma no Sertão de Pernambuco

O estudante Daniel Antônio da Conceição Silva, de 29 anos, encontrou na tecnologia a própria voz. Com paralisia cerebral, ele se comunica apenas piscando...

O estudante Daniel Antônio da Conceição Silva, de 29 anos, encontrou na tecnologia a própria voz. Com paralisia cerebral, ele se comunica apenas piscando os olhos e acenando com a cabeça. Neste ano, o jovem alcançou um marco, se formou em Tecnologia em Sistemas para Internet pelo Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco.

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Daniel abordou o uso de inteligência artificial para reprodução de voz. Orientado pelo professor Marcelo Santos, o estudo comparou diferentes ferramentas tecnológicas de acessibilidade.

“Ele acabou testando, basicamente, quatro tecnologias de voz, que fazem com que ele ou qualquer outra pessoa, que não consegue falar, tenha uma voz mais humanizada, digamos assim, para não parecer aquela voz tão robótica quando fala”, explicou o orientador.

O orientador conheceu o aluno durante o ensino médio integrado no IFSertãoPE. Segundo o professor, o estudante sempre foi muito participativo, apesar das dificuldades.

“Ele sempre foi um aluno muito ativo, de querer participar de tudo. Sempre foi um aluno que sempre ria bastante dentro da sala de aula. E sempre foi muito bacana de ver que, apesar de todas as dificuldades financeiras, porque ele vem de uma família humilde, ou as limitações que a vida acabou impondo, Daniel sempre foi um aluno feliz”, disse Santos.

No início, houve dúvidas sobre como seria o processo de aprendizagem. No entanto, professor e aluno logo formaram uma parceria que seguiu até a universidade.

“A gente começou testando vários equipamentos, como, por exemplo, a ponteira, mas Daniel não conseguiu usar na cabeça. E aí eu fui atrás de outras tecnologias. A gente falou com o fornecedor e tentou utilizar o Tix integrado com sensor de piscadela. Aí Daniel começou a usar pela primeira vez algo que proporcionava uma certa autonomia. E aí foi massa, ele demorava uns 10 minutos para escrever uma frase, mas fazia feliz da vida”.

A busca por novas ferramentas virou um projeto de pesquisa. Ao testarem outro aplicativo, o tempo para Daniel escrever uma frase caiu pela metade, de dez para cinco minutos.

No TCC do ensino médio, o jovem já havia analisado a eficiência dessas tecnologias inclusivas de digitação. Foi essa trajetória que o levou ao dispositivo que usa atualmente, uma ferramenta de rastreamento ocular que permite a comunicação de forma independente.

“Ele consegue digitar sozinho, abrir programas sozinho, consegue ir para o psicólogo, o psiquiatra, sem precisar que alguém fale por ele, e daí isso foi massa. Então sim, isso é uma das coisas que mais me deixam feliz, de ter conseguido junto com Daniel construir essa autonomia, testando várias tecnologias inclusivas”, comemorou o professor.

A inclusão de Daniel na educação começou graças à professora Ana Maria dos Santos. Foi ela quem convenceu a mãe do menino a matriculá-lo na escola municipal, aos nove anos. A educadora também conseguiu a primeira cadeira de rodas dele, por meio da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

O esforço da professora garantiu que Daniel fosse alfabetizado aos dez anos. Mesmo quando outras educadoras assumiram a turma, Ana Maria continuou acompanhando e defendendo a inclusão do aluno.

“Me sinto realizada e feliz por ter dado a ele uma vida de qualidade apesar das limitações dele. Houve muitos momentos que eu tive que falar com diretores, coordenadores e professores para garantir a inclusão dele na sala de aula. Hoje, minha relação com ele permanece a mesma. Ele continua sendo um membro da minha família e sempre levo ele para viagens familiares, passeios e eventos sociais”, contou Ana Maria.

Fonte: G1

Siga-nos em nossas redes sociais Facebook, Twitter e Instagram. Você também pode ajudar a fazer o nosso Blog, nos enviando sugestão de pauta, fotos e vídeos para nossa a redação do Blog do Silva Lima por e-mail blogdosilvalima@gmail.com ou WhatsApp (87) 9 9155-5555.