Uma pesquisa ouviu 5.296 estudantes do ensino fundamental 2 e do Ensino Médio nas cinco regiões do país para identificar o que consideram essencial para a qualidade da escola. Entre as demandas apontadas estão salas de aula mais dinâmicas, capacitação de professores e redução das faltas docentes.
A percepção sobre a forma como os professores explicam os conteúdos influencia diretamente a avaliação da escola. Entre os alunos que dizem que os docentes explicam bem, 75% classificam a instituição como boa ou ótima. Quando a explicação é considerada ruim, esse percentual cai para 48%. No fundamental 2, 78% avaliam que os professores estão motivados para dar aulas, número que recua para 69% no Ensino Médio. A falta de professores também é mais citada no Ensino Médio: 66% concordam totalmente ou em parte que há disciplinas sem docente por um período, ante 61% no fundamental 2.
O diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, afirma que os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo das expectativas sobre uma boa escola. Segundo ele, o momento de eleições e o início de novos mandatos abrem espaço para revisão de estratégias e repactuação de compromissos. Corrêa diz que o país precisa acelerar o ritmo de crescimento dos indicadores de qualidade educacional.
Mais de 90% dos entrevistados consideram importante ter a chance de fazer um curso técnico ou profissionalizante durante essa etapa. O dado contrasta com o alcance atual da Educação Profissional e Tecnológica: conforme o Censo Escolar 2025, cerca de 20% dos estudantes do Ensino Médio estão matriculados na Educação Profissional. A tecnologia aparece na rotina escolar para 70% dos alunos, que afirmam que os professores a usam nas aulas ao menos uma vez por semana. A IA é utilizada com frequência ou às vezes por 71% para estudar, mas quase um em cada três discorda de que os professores estejam bem preparados para usar tecnologia em sala.
Entre os estudantes do tempo integral, 74% avaliam a escola como boa ou ótima, ante 68% do ensino regular. Os benefícios citados incluem mais tempo para aprender, atividades esportivas, artísticas e culturais, preparação para o futuro e mais tempo de estudo para vestibular e para o Exame Nacional do Ensino Médio. Entre os alunos do Ensino Médio que não estão no tempo integral, 20% dizem trabalhar ou exercer atividade remunerada. Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, os estudantes têm consciência sobre o que é importante para a escola e, quando a aprendizagem aparece como prioridade, há um recado claro para as Políticas Públicas.