O Instituto Iter, que foi estabelecido em novembro de 2023 pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, inclui em sua sociedade quatro ex-integrantes da administração do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na última quinta-feira, 3 de setembro de 2026, Mendonça comunicou que deixará sua posição na empresa e se dedicará exclusivamente ao seu papel como professor na instituição.
Atualmente, a Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança detém 77,5% das ações do Instituto Iter. Esta empresa é de propriedade de André Mendonça e sua esposa, Janey Nagliatti de Mendonça. Os 22,5% restantes estão divididos entre os quatro ex-integrantes do governo Bolsonaro, que colaboraram em períodos em que Mendonça atuou como advogado-geral da União, entre janeiro de 2019 e abril de 2020, e de março a agosto de 2021, além de ter sido ministro da Justiça entre abril de 2020 e março de 2021.
Os ex-membros do governo e suas respectivas participações no Instituto Iter são: Victor Godoy Veiga, atual presidente da instituição, com 7,5%; Danilo Dupas Ribeiro, que possui 5% e foi presidente do Inep de março de 2021 a julho de 2022; Tercio Tokano, também com 5%, que atuou como subchefe adjunto para assuntos institucionais da Presidência da República em 2020; e Rodrigo Hauer, que possui 5% e foi chefe de gabinete do advogado-geral da União em períodos entre 2019 e 2021.
Mendonça declarou que transferirá suas cotas e as de sua esposa sem receber qualquer compensação financeira. Em comunicado, o Instituto Iter ressaltou que, durante os dois anos de operação, não houve distribuição de lucros ou dividendos, assegurando que as atividades educacionais continuarão normalmente. A nota do instituto também confirma que a entidade será convertida em uma organização sem fins lucrativos, reforçando seu compromisso com a educação e causas sociais.
A decisão do ministro foi formalizada em 2 de setembro de 2026, após uma conversa com Victor Godoy, presidente do Instituto Iter, sobre as providências a serem tomadas. Mendonça reafirmou que sua intenção é que as cotas permaneçam destinadas a fins sociais e educacionais, sem que ele tenha auferido lucro com a instituição. Assim, ele continuará a contribuir apenas no âmbito acadêmico, como professor.