Pais precisam se atentar à influência digital sobre os filhos. Em um mundo onde a presença digital se intensifica, a prioridade de ser o principal influenciador na vida dos filhos se torna crucial. A crescente ocupação dos pais, frequentemente distraídos, abre lacunas que são preenchidas por influências externas, muitas vezes desconhecidas e nem sempre benéficas.
No passado, o círculo de amizades dos filhos era mais visível e controlável. Hoje, o “amigo” que exerce maior influência pode estar distante, transmitindo conteúdo em tempo real para um vasto público de crianças e adolescentes.
Os quartos se transformaram em verdadeiros auditórios, onde jovens consomem conteúdo sem supervisão, absorvendo valores e comportamentos de influenciadores digitais. Nem todos esses influenciadores são positivos; alguns normalizam o superficial, glorificam a violência e banalizam valores essenciais.
A escala dessa influência é global e constante, acompanhando a criança 24 horas por dia. Muitos pais desconhecem as figuras que ocupam um espaço privilegiado na mente de seus filhos. A internet, um ambiente onde a manipulação de algoritmos amplifica vozes polêmicas e chocantes, exige atenção redobrada.
Recentemente, o caso de uma adolescente que buscou conselhos em uma inteligência artificial e teve sua saúde mental prejudicada serve como um alerta. Não se pode delegar a algoritmos ou estranhos digitais a orientação sobre os valores da vida.
Embora o controle total seja impossível, é fundamental ocupar um lugar de destaque na vida dos filhos. A questão não é se eles serão influenciados, mas por quem. Ser um influenciador positivo não requer perfeição, mas presença, escuta e segurança.
O adolescente que compartilha algo inadequado precisa de um adulto que o ouça e explique o porquê de tal conteúdo ser problemático. Se a família falha em oferecer esse espaço, a criança buscará validação em outros lugares, onde as respostas podem ser prejudiciais.
Presença vai além do físico; é ocupar o espaço da referência, garantindo que a voz da família seja mais forte que a voz da tela. O vínculo afetivo, o abraço, a paciência e o exemplo são influências duradouras.
O futuro exigirá responsabilidade. Caso contrário, os filhos serão terceirizados para influências negativas e inteligências artificiais desprovidas de amor e responsabilidade. É hora de priorizar e garantir que a principal influência na vida de uma criança seja a de seus pais. Educar é ser presença, porto seguro e guia em meio ao caos digital.