O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se declarou, em CARTA enviada a aliados nesta quarta-feira (28), "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". No documento, ele contesta o resultado das eleições e afirma que pretende seguir atuando politicamente a partir dos Estados Unidos, onde está com a família. Ele acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política e diz que não vai abandonar seus apoiadores.
Na CARTA, Flávio sustenta que houve fraude eleitoral no segundo turno e questiona a decisão que prorrogou o horário de votação. Ele também acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter sido beneficiado por irregularidades, sem apresentar, no documento, provas que sustentem as alegações. O senador afirma que deixou o país por considerar que não teria segurança jurídica e que não pretende submeter a família ao que classifica como perseguição. "Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece", declarou.
Flávio agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, a quem atribui coragem e compromisso com a liberdade. Também agradece ao povo americano por acolher sua família e afirma que está em segurança nos Estados Unidos. Ele compara sua saída do Brasil à trajetória de figuras históricas que deixaram seus países em períodos de conflito político, citando Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, e menciona opositores do governo venezuelano, como Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado, para defender sua atuação no exterior.
Segundo o senador, ele pretende se dirigir regularmente aos brasileiros nos próximos dias e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição. Ele diz que continuará atuando politicamente mesmo fora do país e que pretende representar apoiadores que, segundo ele, não teriam liberdade para se manifestar no Brasil. "Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros", escreveu. Ao final, afirma que a luta política continuará até que o país volte a ser, em suas palavras, "um país livre".
A CARTA foi divulgada em meio a medidas judiciais relacionadas aos documentos de viagem do senador. A Polícia Federal (PF) informou que os passaportes comum e diplomático brasileiros foram cancelados por decisão judicial e que Flávio foi intimado a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades, o que não ocorreu no prazo estabelecido. A corporação esclareceu que as restrições aos documentos de viagem não caracterizam, por si só, a condição de foragido nem autorizam prisão, e que não há registro oficial de saída do senador do Brasil pelos postos brasileiros de controle migratório.